A Swile vive um novo momento no Brasil. A fintech francesa de benefícios corporativos, que chegou ao país em 2021 e já acumula quase 1,5 milhão de usuários ativos, acaba de ganhar um novo comando e prepara uma ofensiva ambiciosa: investir R$ 600 milhões até 2030, expandir para o segmento de gestão de despesas corporativas e viagens (Travel & Expense) e, nas palavras do seu novo líder, se transformar na “carteira do trabalhador”.Quem assume essa nova fase é Denis Tassitano, executivo com mais de duas décadas de mercado de tecnologia – com passagens por TOTVS e SAP – e que chegou à Swile em agosto para sua primeira posição como CEO. A ambição é grande: fazer com que o Brasil supere a própria França como maior mercado da companhia que fatura R$ 4 bilhões de euros e tem 4,5 milhões de usuários em seu país de origem. “Nosso objetivo é ser a carteira do trabalhador”, afirma Tassitano em entrevista exclusiva ao InfoMoney Entrevista.A mudança de patamar acontece em um momento de transformação no setor de benefícios. Com a chegada de novos entrantes, a pressão regulatória em torno do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), digitalização e demanda por plataformas mais integradas, empresas como a Swile deixam de ser vistas apenas como fornecedoras de vale-refeição e vale-alimentação para se posicionar como hubs financeiros dentro das empresas. O cartão de benefício, nessa nova lógica, vira porta de entrada para um ecossistema maior.Tassitano, que passou anos liderando a SAP Concur para América Latina – justamente o segmento de despesas corporativas –, traz na bagagem o conhecimento de um mercado que a Swile quer agora conquistar no Brasil. Filho do ex-jogador de futebol Ivair Ferreira, o “Príncipe”, ele construiu uma trajetória que mescla tecnologia, gestão e um olhar para inovação que pretende aplicar na nova fase da companhia.Leia mais: “Vão tomar um susto”: Adibe diz que resultados da Cimed surpreenderão o mercado“O grande objetivo da vida do meu pai, que foi jogador, era que eu fosse um executivo. E acho que deu certo”, brincou.Leia, abaixo, trechos editados da entrevista com Denis Tassitano, General Manager da Swile Brasil.InfoMoney: Você passou cerca de 15 anos na SAP, em duas passagens, e chegou a uma posição de liderança regional. O que fez você olhar para a Swile e pensar “é aqui que eu quero estar agora”?Denis Tassitano: A SAP é uma empresa gigante. Geria times em vários países da América Latina e Caribe. Então assumir minha primeira posição de CEO era o próximo passo. Vi que a Swile é uma empresa de tecnologia com background para trazer inovação, uma empresa onde a gente pode criar e fazer escolhas.IM: Você chega à Swile depois de a operação brasileira atingir 1 milhão de usuários e o break-even em menos de cinco anos. Qual é o principal desafio de assumir uma empresa nesse momento de virada?Tassitano: Eu vim para avaliar e validar processos. Tenho um histórico grande com processos, especialmente do segmento de travel & expense, que é um dos grandes alvos da Swile no Brasil. Essa atuação já é uma realidade na França – temos uma solução focada em controle de gastos e experiência do colaborador em viagens corporativas. O desafio é trazer isso para o Brasil, mas não somente. Com o background tecnológico, consigo avaliar e sugerir inovações, ouvir o usuário. O grande desafio da tecnologia é escutar o trabalhador e fazer o deploy da tecnologia para ajudá-lo. Não criar tecnologia pela tecnologia.IM: A Swile ficou conhecida pelos benefícios flexíveis, mas tem uma expansão de ambição. O que a Swile quer ser daqui para frente?Tassitano: Acreditamos muito no segmento de benefícios. A entrada de novos entrantes prova que esse é um segmento fértil. Nosso objetivo é nos estabelecer como uma plataforma que é a carteira do trabalhador. Quando você abre sua carteira Swile, pode consumir o benefício de alimentação, wellness, viagem, expense. E os novos produtos vêm para agregar. Mas não queremos lançar produtos porque o concorrente está lançando, mas sim porque representam uma necessidade que o trabalhador, o setor de Recursos Humanos ou o CFO estão compartilhando conosco.IM: Vocês têm uma meta de crescer cerca de 40% ao ano em receita e um plano de investir R$ 600 milhões no Brasil até 2030. Onde exatamente vocês vão colocar esse dinheiro?Tassitano: Já foram investidos R$ 600 milhões e agora, mais R$ 600 milhões. Os recursos vem da matriz, na França. Nosso grande objetivo é investir em tecnologia. Temos a parte de localização – o mercado brasileiro é completamente diferente do francês, tem aquele “sabor Brasil” que você precisa aplicar nas soluções. Temos uma equipe aqui voltada para inovação. Nosso investimento, basicamente, são pessoas. Investimos em parceiros também. E muito em tecnologia.IM: O Brasil já representa 25% do volume global de negócios da Swile. O que explica o país ser tão importante?Tassitano: É o tamanho do mercado. O mercado brasileiro é gigantesco. Se você quer estar no mercado de benefícios, precisa estar no Brasil. Além do potencial muito grande, o tamanho, em números absolutos, é enorme.Leia mais: Nvidia vale US$ 5 tri, mas funcionários pagam o próprio almoçoIM: Vocês já têm quase 1,5 milhão de usuários na plataforma de benefícios. Quanto essa base facilita a entrada em despesas corporativas?Tassitano: Nossa ideia é primeiro apresentar essa solução para os clientes que já estão conosco e já têm essa necessidade. Mas a solução vai para todo o mercado. Queremos prestigiar primeiro os nossos clientes, mas contemplando tanto o controle dos gastos quanto a parte de viagens.IM: Com as mudanças regulatórias no mercado de benefícios, o cartão de benefício está deixando de ser o produto e virando apenas a porta de entrada para uma plataforma financeira?Tassitano: A Swile, desde que começou, já começou com tarifas menores. Se as tarifas caírem ainda mais no Brasil, não vamos tomar nenhum susto, porque não vai cair para a gente. Nós já operados em um preço extremamente competitivo, pensando em todo o ecossistema – o estabelecimento, a usabilidade, a experiência do trabalhador. Nós já estamos adaptados a esse cenário. Outras empresas, não. As que estão há mais tempo vão ter que se adaptar. E o principal que a França traz é que estaremos adequados ao que o governo determinar. Estamos flexíveis para isso.IM: Você falou que dados são uma prioridade e que IA só vira ferramenta quando resolve uma fricção real. Qual é hoje a aplicação de IA que está mudando o produto?Tassitano: A inteligência artificial é muito utilizada para o atendimento aos nossos clientes – diminuir ocorrências, atender mais prontamente, identificar padrões para antecipar problemas. Não só no front-end, mas também no esclarecimento de dúvidas e na antecipação de tendências. Há também a identificação de padrões para inibir fraudes. São detalhes que a gente não abre para não dar ideia. O que coloquei para o time interno é que devemos conversar com concorrentes sobre esse tema, porque a fraude prejudica todo mundo e esse diálogo beneficia todo o mercado. Se você tem uma equipe antifraude, ela pode colaborar inclusive com a concorrência.Leia mais: Ministério do Trabalho notifica mais de 100 empresas por desvios no uso do PATIM: Se a gente voltar a conversar daqui a três anos, qual número ou resultado você gostaria de poder mostrar para dizer “a estratégia deu certo”?Tassitano: Vou dar a mesma resposta que dei quando conversei com o CEO global, o Rick: a Swile Brasil ser maior que a Swile da França. Esse é o meu objetivo. A França fatura hoje 4 bilhões de euros. A gente tem que sonhar grande e executar pequeno. Mas a meta principal, tirando a brincadeira, é atender muito bem os nossos clientes – e isso não é clichê, porque é isso que mantém a recorrência. Antes de tudo, o objetivo é entregar uma empresa sustentável, saudável, que permaneça. Não vou fazer loucuras para ganhar mercado e depois não saber como se sustentar. Com 1,5 mi de usuários no Brasil, novo CEO da Swile quer superar matriz francesa
Com 1,5 mi de usuários no Brasil, novo CEO da Swile quer superar matriz francesa
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