CNBB parabeniza Lula por reeleição, mas cobra diálogo contra 'polarização que atravessou a sociedade'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) parabenizou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin pela reeleição, em mensagem divulgada nesta segunda-feira (26), mas cobrou gestos concretos e diálogo contra a "polarização que atravessou a sociedade".

No documento, a entidade, que foi envolvida na disputa eleitoral após ser acusada por Flávio Bolsonaro (PL) de supostamente disseminar os rumores sobre um projeto bolsonarista contra Nossa Senhora Aparecida, defende a pacificação do país e políticas públicas voltadas aos mais pobres.

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Amapá e Tocantins: entenda os votos de Lula e Bolsonaro nos dois únicos estados em que houve virada entre 2022 e 2026 “As eleições se encerraram, mas permanece diante de todos nós uma tarefa que ultrapassa os resultados eleitorais: cuidar da unidade do país e reconstruir os caminhos do diálogo, da confiança e da convivência fraterna entre os brasileiros”, afirma a mensagem.

A CNBB acrescenta que “a polarização que atravessou a sociedade não pode determinar o horizonte do próximo período de governo” e defende respeito às diferenças e valorização das instituições democráticas. A entidade também pediu prioridade aos mais pobres e vulneráveis e citou como desafios a superação da fome e da miséria, a promoção do trabalho digno, o acesso à saúde, à educação e à moradia, a proteção dos povos indígenas e das comunidades tradicionais e a preservação ambiental.

O documento reafirma ainda a importância do respeito à Constituição, do combate à corrupção e à violência e do fortalecimento das instituições. A CNBB disse que está disposta a manter diálogo com o governo, respeitando a autonomia entre Igreja e Estado, e desejou que o novo mandato contribua para o fortalecimento da democracia e a aproximação entre os brasileiros.

A carta da CNBB foi assinada pelo cardeal Dom Jaime Spengler, Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre e presidente da CNBB, Dom Paulo Jackson de Nóbrega Sousa, Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife e 2º Vice-Presidente da CNBB, Dom João Justino de Medeiros Silva Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia (GO), 1º Vice-Presidente da CNBB e Dom Ricardo Hoepers, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília e Secretário-Geral da CNBB.

Confira a mensagem na íntegra "O resultado das urnas expressa a decisão democrática do povo brasileiro e renova a responsabilidade confiada as Vossas Excelências de conduzir os destinos.

Neste momento, desejamos que o novo mandato seja marcado pela sabedoria, pelo espírito de serviço e pelo compromisso com o bem comum, fundamento de toda autêntica responsabilidade política. As eleições se encerraram, mas permanece diante de todos nós uma tarefa que ultrapassa os resultados eleitorais: cuidar da unidade do país e reconstruir os caminhos do diálogo, da confiança e da convivência fraterna entre os brasileiros.

A polarização que atravessou a sociedade não pode determinar o horizonte do próximo período de governo. O Brasil necessita de gestos concretos de pacificação, de respeito às diferenças e de valorização das instituições

Pacificar não significa silenciar as divergências, mas criar condições para que elas sejam enfrentadas com respeito, justiça, verdade e disposição para o encontro. Significa reconhecer que todos os brasileiros, independentemente de suas escolhas eleitorais, pertencem à mesma comunidade nacional e merecem igual consideração por parte daqueles que exercem a autoridade pública.

Nesse contexto, recordamos a atenção prioritária que deve ser dedicada aos mais pobres e vulneráveis. Acreditamos que a dignidade da pessoa humana, a destinação universal dos bens, a solidariedade, a subsidiariedade e o bem comum devem orientar as decisões políticas e econômicas.

Esses princípios encontram expressão concreta na defesa da vida desde a concepção até seu fim natural, na superação da fome e da miséria, na promoção do trabalho digno, na garantia de acesso à saúde, à educação e à moradia, na proteção das crianças, dos idosos e das famílias, no cuidado com os povos dos direitos fundamentais.

soluções. indígenas e as comunidades tradicionais e na preservação de nossa Casa Comum.

O desenvolvimento de uma nação não pode ser avaliado apenas por seus indicadores econômicos, mas também pela capacidade de assegurar condições dignas de existência àqueles que permanecem à margem das oportunidades e Também desejamos reafirmar a importância do fortalecimento das instituições, do respeito à Constituição Federal, da promoção da paz social e do combate à corrupção e a toda forma de violência.

O país precisa de políticas públicas que enfrentem seus problemas estruturais com seriedade, continuidade e responsabilidade, preservando as conquistas democráticas e promovendo a participação da sociedade na construção de A Igreja Católica, presente em todas as regiões do Brasil, acompanha de perto as alegrias, os sofrimentos e as esperanças de nosso povo.

Por meio de suas comunidades, pastorais, organismos e iniciativas sociais, procura contribuir diariamente para a promoção da dignidade humana, a defesa dos direitos fundamentais, a formação das consciências e o cuidado com os que mais necessitam. A CNBB, respeitando a legítima autonomia entre a Igreja e o Estado, reafirma sua disposição de manter um diálogo institucional construtivo e de colaborar em iniciativas voltadas à defesa da vida e da dignidade do ser humano, ao bem comum, especialmente na promoção da justiça, da fraternidade, da solidariedade e da paz.

Essa disposição nasce da fidelidade à missão da Igreja e de sua responsabilidade de contribuir, com liberdade e espírito de serviço, para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Desejamos que o novo mandato seja uma oportunidade para fortalecer a democracia, aproximar os brasileiros e renovar a esperança daqueles que mais necessitam de atenção e cuidado".

Padroeira do Brasil O posto de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil entrou na agenda da disputa eleitoral desse ano após rumores apontarem que Flávio Bolsonaro (PL) poderia retirar esse título se eleito.

O candidato nunca fez essa proposta publicamente e acusou a própria CNBB de ter ajudado o PT a disseminar o boato, acusação negada pela entidade. “A mentira não se combate com outra mentira", respondeu a CNBB.

Em seguida, Flávio Bolsonaro, que é evangélico, fez acenos ao público católico em seus atos, com direito a erguer uma imagem de Nossa Senhora. Em agosto, Flávio Bolsonaro afirmou que, se fosse eleito presidente, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

Em seguida, publicações nas redes sociais passaram a resgatar um Projeto de Lei apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli, e arquivado em 2008, que pedia a retirada do título de Padroeira do Brasil. Galli foi assessor especial da Presidência no governo de Jair Bolsonaro e, atualmente, é aliado político de Flávio Bolsonaro.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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