Cleitinho desafia políticos que defendem boicotes e cobra renúncia a privilégios

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O senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), criticou políticos de direita e de esquerda que incentivam campanhas de boicote contra comerciantes e empresários por causa de suas preferências eleitorais. Em vídeo publicado nas redes sociais no domingo (1º), ele cobrou coerência dos parlamentares e afirmou que aqueles que defendem retaliações deveriam abrir mão dos próprios salários e benefícios pagos com recursos públicos.

Antes de abordar as campanhas de boicote, Cleitinho repudiou o episódio envolvendo uma influenciadora que se recusou a comprar doces de uma criança em Fortaleza (CE), depois que o menino fez o gesto conhecido como “L”, associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador classificou a atitude como uma humilhação e destacou que a criança não tem responsabilidade pela escolha política de sua família.

O parlamentar também pediu que representantes da direita e políticos que se apresentam como cristãos se manifestassem contra o episódio. Segundo ele, divergências eleitorais não justificam constrangimentos ou ataques a pessoas que não têm envolvimento direto com disputas partidárias.

Na sequência, Cleitinho direcionou as críticas aos políticos que incentivam consumidores a deixar de frequentar estabelecimentos de empresários identificados com determinado candidato. Ele argumentou que os recursos utilizados para pagar salários, auxílios, verbas de gabinete e fundos partidário e eleitoral têm origem na arrecadação de impostos, sustentada também por trabalhadores e empresários.

“Se você está mandando boicotar empresas, tanto de esquerda ou de direita, abra mão do seu salário”, afirmou o senador. Ele citou benefícios como auxílio-moradia, auxílio-alimentação e auxílio-paletó para questionar a postura de representantes que defendem prejuízos financeiros a comerciantes por suas posições políticas.

Para ilustrar sua posição, Cleitinho contou a história de uma cliente do comércio de seu pai que votava em Lula, enquanto o empresário tinha preferência política pela direita. Apesar da diferença de posicionamento, a mulher continuou frequentando o estabelecimento.

O senador utilizou o exemplo para defender que a escolha eleitoral não deve determinar o caráter de uma pessoa nem impedir relações comerciais. O governador eleito também comparou as divergências políticas às rivalidades entre torcedores de futebol.

Ao mencionar cruzeirenses, atleticanos, flamenguistas e vascaínos, questionou se a preferência por um clube deveria ser motivo para romper amizades. Para ele, o mesmo princípio deve ser aplicado às diferenças entre eleitores.

As declarações ocorrem em meio à circulação de campanhas nas redes sociais contra empresas, artistas e comerciantes associados a eleitores de Lula. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, manifestou apoio ao direito de consumidores boicotarem estabelecimentos de pessoas cujas posições políticas consideram incompatíveis com seus princípios.

Cleitinho, por sua vez, direcionou sua cobrança aos políticos que estimulam esse tipo de retaliação e defendeu que os eleitores também passem a cobrar os próprios representantes.

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