A ciência tradicional não é muito chegada nos estudos do sobrenatural (projeções, extraterrestres, seres fantásticos como o Pé Grande), mas uma divisão especial da Universidade da Virgínia, nos EUA, focada nos estudos da percepção, tem, como objetivo, desvendar exatamente esses mistérios.
O último que tem chamado a atenção do grupo é o de crianças que afirmam terem vivido uma vida passada, muitas vezes dando informações que não teriam como saber, sensações que nem poderiam imaginar e detalhes que só a própria pessoa poderia saber. Será que montanhas-russas ficaram perigosas demais? Casos recentes acendem debate
Pássaros têm mais medo de mulheres do que de homens, mas, até agora, ninguém sabe o porquê Espécie de cobra asiática foge de ameaça dando cambalhotas; veja
E, num novo estudo, baseado no maior arquivo de casos em que crianças pequenas relatam espontaneamente memórias detalhadas que parecem corresponder à vida de uma pessoa falecida específica, eles acreditam ter descoberto uma correlação inexplicável. Uma coleção de casos que impressiona
São mais de 1.600 casos no banco de dados, como o de James, um bebê de Louisiana que começou a ter pesadelos com um acidente aéreo. Aos 3 anos de idade, ele afirmou que foi um piloto durante a Segunda Guerra Mundial que pilotou um avião de caça a partir de um porta-aviões chamado Natoma Bay, e até mencionou o nome de um colega piloto, Jack Larsen.
Os pesquisadores da UVA compararam suas dezenas de alegações altamente específicas com as de um piloto real, James Huston Jr., que foi abatido sobre o Pacífico em 1945. Em outro caso, Ryan, um garoto de quatro anos, mostrou à sua mãe um foto promocional de Hollywood dos anos 1930, apontando para uma pessoa e afirmando: “Sou eu”.
Aos pesquisadores da Divisão de Estudos Perceptivos, ele forneceu outros 55 detalhes obscuros e verificados sobre a vida do falecido agente de Hollywood Marty Martyn, incluindo o nome da rua onde ele morava, quantas irmãs ele tinha e sua comida favorita. Correlação entre mortes violentas nos últimos 12 meses e crianças “reencarnadas”
Após uma longa análise nos mais de 60 anos de dados compendiados pela divisão, os pesquisadores acreditam terem encontrado um “tempo de regeneração”, ou seja, um tempo médio entre a morte de uma pessoa e sua suposta reencarnação. Nos 1.319 casos com dados temporais utilizáveis, o intervalo mediano foi de 16 meses, embora o intervalo mais longo observado no conjunto de dados tenha sido impressionante: 150 anos.
Agora, a novidade é que os pesquisadores notaram que, quando as pessoas morreram de repente, como num acidente, por violência, ou uma crise médica, o tempo diminui para apenas 12 meses, ao contrário de 21 meses, no caso de mortes “antecipadas”. “Este é o maior estudo sistemático até o momento sobre padrões temporais em relatos de memórias de vidas passadas.
Casos individuais podem dar margem a diferentes interpretações, mas padrões em muitos casos são muito mais difíceis de explicar como exagero, fantasia ou invenção”, disse Saeedeh Sadeghi, que liderou o estudo. Outro ponto interessante é que as mortes não-naturais são maioria no banco de dados: 57%, sendo que, no total, 68% foram consideradas como inesperadas.
Ao mesmo tempo, a maioria das pessoas “reencarnadas” eram jovens, com idade média de 30 anos. “O efeito persistiu mesmo depois de levarmos em conta diversos fatores culturais e psicológicos, e foi ainda mais forte em famílias cujas religiões não apoiavam a reencarnação”, disse o pesquisador da UVA, Philip Cozzolino, PhD.
“Será isso uma evidência de algo metafísico? Os dados são observacionais e temos o cuidado de nos mantermos agnósticos quanto ao mecanismo”, diz Sadeghi “O que posso afirmar é que o padrão é real nos dados e não é facilmente explicado pelos fatores culturais e psicológicos que examinamos — o que, para mim, é um motivo para continuarmos investigando, e não para desviarmos o olhar”.
Extra