Uma equipe de cientistas da Universidade Jiao Tong de Xangai, na China, criou um laboratório autônomo de engenharia biomolecular nativo de inteligência artificial, o AutoDNA, voltado para experimentos com múltiplos objetivos em diversos instrumentos. Reportagem publicada na Nature relata que, no local, os experimentos são projetados e executados do início ao fim por uma equipe de agentes de IA, seguindo uma simples instrução de um operador humano.
Depois disso, a intervenção humana é necessária apenas para repor reagentes e realizar manutenção nos equipamentos. “Por meio do codesenvolvimento de modelos, experimentos e instrumentos, o AutoDNA realiza a coevolução da IA e do sistema de automação em uma estrutura multiusuário de ponta a ponta”, escreveram os autores em artigo publicado também na Nature.
E acrescentaram: “O sistema orquestra autonomamente mais de 20 tipos de instrumentos em mais de 11.000 etapas para executar operações essenciais com ácidos nucleicos, incluindo síntese, transcrição, amplificação e sequenciamento, enquanto a intervenção humana se limita a tarefas de manutenção de hardware, como reposição de reagentes e materiais de laboratório”.
Com amostras movimentadas por braços robóticos, o laboratório, em quatro aplicações representativas, segundo os pesquisadores, igualou os rendimentos de síntese enzimática de DNA otimizados por especialistas, acelerou a execução simultânea de protocolos em 3,2 vezes, completou um ciclo de armazenamento de dados de DNA de ponta a ponta com recuperação exata do conteúdo digital original e identificou e validou uma mutação KRAS G13D detectada clinicamente.
À Nature, Haibo Chen, cientista da computação da Universidade Jiao Tong de Xangai e coautor do relatório, observou que projetar laboratórios como o AutoDNA para biologia molecular é um desafio devido aos fluxos de trabalho complexos da área, que exigem equipamentos variados e alta precisão.
"Em muitos sistemas existentes, ainda são necessários especialistas humanos para configurar os instrumentos. A IA é adicionada principalmente para lidar com apenas uma parte do processo”, apontou, acrescentando que, para criar um laboratório totalmente autônomo, ele e seus colegas decidiram construí-lo desde o início com inteligência artificial, em vez de adicionar recursos a um sistema preexistente.
Mas nem todo mundo aprova o nível de autonomia do AutoDNA. Julius B.
Lucks, biólogo sintético da Universidade Northwestern em Evanston, Illinois, dos Estados Unidos, teme que o local não permita supervisão humana suficiente de suas atividades: "Você configura essa operação e depois fica de fora. Não consegue monitorá-la.
É fundamental que o ser humano esteja envolvido”, completou. Mais Lidas
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