Um cientista russo que fez parte da equipe que criou agente nervoso letal Novichok — utilizado em envenenamentos de dissidentes — morreu de "forma misteriosa" aos 80 anos. Vladimir Uglev havia acusado anteriormente o Kremlin de usar a arma química que ele desenvolveu "numa série de operações de eliminação orquestrada pelo Estado".
A causa de sua morte é desconhecida, e não está claro por que o falecimento, ocorrido em 26 de outubro, demorou tanto a ser divulgado, segundo o veículo russo "The Insider". Uglev fez parte de uma equipe de especialistas soviéticos que criou o Novichok, conhecido como A-234 — um agente nervoso letal praticamente impossível de detectar.
O A-234 foi utilizado por espiões de Vladimir Putin na tentativa de assassinato do agente duplo russo Sergei Skripal — então com 66 anos — e de sua filha Yulia — na época com 33 anos —, em solo britânico, em março de 2018. Os dois sobreviveram, mas Dawn Sturgess, de 44 anos e mãe de três filhos, morreu após entrar em contato, sem saber, com o veneno que havia sido descartado num frasco de perfume em Salisbury.
"Não tenho dúvida de que foi o A-234", declarou Uglev sobre o episódio, acrescentando que conhece o Novichok "como uma mãe conhece o seu filho". Ele também se manifestou a respeito do envenenamento do líder da oposição russa, Alexei Navalny, ocorrido em 2020 com o Novichok.
O crítico de Putin sobreviveu ao ataque, mas acabou sendo assassinado em colônia penal russa no Ártico, em fevereiro de 2024. Apesar de ter desenvolvido o Novichok, Uglev se tornou "crítico declarado" ao uso dele pela inteligência de Moscou, que rebateu as acusações.
Porém, um inquérito público britânico, de dezembro de 2025, sobre o envenenamento em Salisbury concluiu que a ação foi ordenada diretamente por Putin. Nascido em Kirovsk em setembro de 1946, Uglev formou-se em química em Moscou, antes de trabalhar, de 1975 a 1990, em centro soviético sigiloso de pesquisa de armas químicas, em Saratov.
Dias após ter se pronunciado contra o Kremlin após a operação em Salisbury, Uglev sofreu o que ele considera um atentado. O cientista foi atropelado por um carro em faixa de pedestres perto da sua casa, em Anapa, um balneário às margens do Mar Negro.
Ele sofreu ferimentos na cabeça e no braço após ser arremessado sobre o capô do veículo e atingir o para-brisa.
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