A China rejeitou nesta sexta-feira as acusações de que teria espionado Jensen Huang, diretor-executivo da fabricante americana de chips Nvidia, e classificou as informações como "especulações infundadas". A reação veio após uma reportagem do jornal The New York Times afirmar que autoridades de inteligência dos Estados Unidos suspeitavam que uma executiva chinesa ligada a uma empresa de data centers sediada em Cingapura enviava informações a Pequim.
Economia americana: PIB dos EUA cresce 3,4% no terceiro trimestre, na taxa anualizada, puxado por investimento em IA Mais novidades: Amazon apresenta novos dispositivos Echo com Alexa, incluindo alto-falantes, porta-retratos digital e Echo Show 16
— A reportagem em questão se baseia em especulações infundadas e não passa de uma tentativa de difamar a China — declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, em entrevista coletiva. Segundo o New York Times, havia suspeitas de que a empresa Megaspeed estivesse enviando chips da Nvidia para a China.
O jornal também afirmou que Alice Huang, executiva da companhia cingapuriana, estabeleceu uma relação próxima com o chefe da fabricante americana. Ela também é conhecida como Huang Le e não tem parentesco com Jensen Huang.
Disputa tecnológica entre China e Estados Unidos O episódio ocorre em meio à disputa entre Washington e Pequim pelo domínio tecnológico.
Os Estados Unidos impõem restrições à exportação para a China dos chips mais avançados projetados pela Nvidia, utilizados para treinar e executar modelos de inteligência artificial (IA). A expansão mundial dos data centers equipados com esses componentes, que alimentam sistemas de IA, transformou a Nvidia na empresa mais valiosa do mundo.
De acordo com o New York Times, o presidente americano, Donald Trump, teria sido informado das conclusões dos serviços de inteligência há aproximadamente um ano, mas optou por não agir. Nvidia nega compartilhamento de informações sigilosas
Um porta-voz da Nvidia afirmou à AFP nesta sexta-feira que a Megaspeed era tratada como qualquer outro cliente regional da companhia. Segundo ele, as interações entre Jensen Huang e a executiva chinesa não eram incomuns.
— Nossos clientes regionais de serviços em nuvem recebem informações comerciais comuns — e não segredos comerciais confidenciais da Nvidia — e absolutamente nenhuma informação relevante para a segurança nacional — afirmou. O representante também rejeitou as suspeitas de que a empresa cingapuriana estaria contrabandeando chips para a China.
Segundo ele, as acusações "foram investigadas exaustivamente e desmentidas no ano passado". A AFP tentou entrar em contato com a Megaspeed, mas não conseguiu confirmar a atividade da empresa pelo telefone informado em seu site.
A pessoa que atendeu afirmou não conhecer a companhia e disse que se tratava de uma linha residencial.
O Globo