China e Rússia prometem aprofundar cooperação de alta qualidade e confiança mútua

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A China reafirmou sua prontidão para aprofundar a confiança política mútua e fortalecer a coordenação estratégica com a Rússia, visando ao desenvolvimento contínuo dos laços e da cooperação bilateral. A declaração foi feita pelo primeiro-ministro chinês, Li Qiang, nesta quarta-feira (21), durante um encontro com seu homólogo russo, Mikhail Mishustin, na 31ª reunião regular de chefes de governo dos dois países, realizada em São Petersburgo. As informações são do portal Global Times.

Após a reunião, os líderes assinaram um Comunicado Conjunto que inclui um pacote de acordos de cooperação em setores estratégicos, como comércio, área aeroespacial, ciência, tecnologia e educação.

Segundo o documento, ambos os lados concordam que a orientação dos respectivos chefes de Estado é a principal garantia para a estabilidade das relações sino-russas. O texto estabelece que as nações devem utilizar o consenso de seus líderes como guia para avançar em áreas-chave, abrangendo economia, investimentos, energia, conectividade e finanças. Além disso, o acordo prevê o fomento a novos motores de desenvolvimento em setores de ponta — como inteligência artificial, biotecnologia e economia digital —, o estímulo ao intercâmbio cultural e interpessoal (turismo, juventude e mídia) e a manutenção de uma comunicação estreita em fóruns multilaterais.

Para analistas internacionais, a reunião foca em concretizar os compromissos assumidos pelos presidentes e oferece suporte essencial para a modernização da parceria. Em um cenário global complexo, especialistas avaliam que a coordenação sino-russa impulsiona a transição para um mundo multipolar mais igualitário e ordenado, rejeitando o confronto de blocos, o hegemonismo e as sanções unilaterais, além de fortalecer o desenvolvimento do chamado Sul Global.

Entrando em uma nova etapa

O ano de 2026 marca o 30º aniversário da parceria estratégica de coordenação China-Rússia e o 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa. O mecanismo de reuniões anuais entre os chefes de governo foi estabelecido em 1996.

Durante o encontro, o premiê Li Qiang destacou que as relações bilaterais entraram em uma nova fase de conquistas ampliadas e desenvolvimento acelerado, estabelecendo um modelo de alta confiança mútua entre grandes potências. Em resposta, Mishustin declarou que a parceria estratégica abrangente atingiu seu nível histórico mais alto. O premiê russo ressaltou a disposição de Moscou em trabalhar com Pequim com base no benefício mútuo e no respeito recíproco para salvaguardar os interesses comuns.

Wang Xiaoquan, especialista da Academia Chinesa de Ciências Sociais, explica que o mecanismo regular de reuniões serve para traduzir os consensos presidenciais em políticas públicas acionáveis, coordenando a execução entre ministérios e governos locais. Já Wan Qingsong, da Universidade Normal do Leste da China, aponta que o encontro prepara o terreno para uma possível nova cúpula presidencial, especialmente com a proximidade da Reunião de Líderes Econômicos da APEC, que será sediada em Shenzhen em novembro.

Ao longo de 2026, as duas nações mantiveram intensa agenda diplomática. Além das reuniões presidenciais em maio e agosto, autoridades como o principal legislador chinês, Zhao Leji, e o chanceler Wang Yi encontraram-se com seus homólogos russos. Na visita de Estado de Vladimir Putin à China em maio, foram assinados 20 documentos de cooperação e fechados outros 20 acordos diversos.

A cooperação prática também tem passado por uma elevação de qualidade. Segundo Wang Xiaoquan, enquanto energia e logística transfronteiriça continuam sendo a base sólida da relação, setores como economia digital, manufatura de equipamentos, transações em moeda local e desenvolvimento verde emergiram como novos motores de crescimento. Os resultados refletem-se na balança comercial: após o comércio bilateral ultrapassar os US$ 200 bilhões anuais entre 2023 e 2025, os primeiros seis meses de 2026 registraram US$ 134,17 bilhões, um salto de 25,6% na comparação anual.

Lado a lado

O encontro em São Petersburgo ocorreu logo após a participação das autoridades na 25ª reunião do Conselho de Chefes de Governo da Organização para Cooperação de Xangai (SCO), realizada na terça-feira (20) no Tadjiquistão.

Li Qiang enfatizou que as duas nações têm avançado “lado a lado” em meio às turbulências internacionais, injetando estabilidade e previsibilidade na paz mundial. Para Wan Qingsong, a atual fragmentação das cadeias de suprimentos globais amplia o espaço para que China e Rússia atuem conjuntamente na estabilização econômica e na conectividade regional.

No âmbito diplomático, a China assumirá a presidência rotativa do BRICS em 2027, após sediar a APEC no fim deste ano. Durante um encontro recente em Baku, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, garantiu apoio total de Moscou aos eventos liderados por Pequim e reafirmou o compromisso de fortalecer a atuação conjunta na ONU, no G20 e no BRICS.

“A coordenação multilateral serve à estabilidade regional e à governança global, evitando a rivalidade de blocos e fornecendo um caminho prático em um mundo turbulento”, concluiu Wang Xiaoquan, reiterando que a aliança busca defender a justiça internacional e o desenvolvimento das nações emergentes.

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