China aposta em bibliotecas espetaculares para atrair selfies e visitantes

 

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Uma fantástica escada em caracol dá as boas-vindas aos visitantes de uma gigantesca livraria em Tianjin, no norte da China, cujo interior chamativo atrai mais os entusiastas de selfies do que os compradores de livros.

Com o auge do comércio eletrônico e apesar dos esforços das autoridades para impulsionar o consumo interno, as vendas de livros em papel não conseguiram se recuperar aos níveis anteriores à pandemia.

No entanto, o número de livrarias físicas "manteve um crescimento estável" nos últimos anos, segundo Ai Limin, responsável por um grupo do setor editorial. "Surgiu uma onda de livrarias com características únicas".

Esta foto, tirada em 9 de dezembro de 2025, mostra pessoas visitando uma livraria em Tianjin

ADEK BERRY / AFP

É o caso da livraria Zhongshuge, em Tianjin, inaugurada em setembro de 2024, que faz sucesso nas redes sociais com seu estilo gótico que lembra Harry Potter.

"As fotos ficam realmente bonitas", diz Li Mengting, uma estudante de pós-graduação que entrou para tirar algumas fotografias aproveitando uma visita à cidade com uma amiga.

A jovem de 24 anos teve dificuldades para encontrar o lugar perfeito porque "havia muita gente lá dentro".

A escada central da livraria, que se prolonga em enormes colunas, está lotada de turistas com paus de selfie e tripés. No chão, há adesivos desbotados com o texto "O melhor lugar para tirar fotos".

Segundo o arquiteto Zheng Shiwei, algumas livrarias estão investindo na criação de interiores pensados para serem fotografados.

"Tornou-se algo relativamente generalizado", afirma Zheng, cuja empresa, China Architecture Design and Research Group, participa de projetos desse tipo.

No entanto, ele teme que "muita gente não vá apenas com o propósito de ler, com consequências indesejadas".

Esta foto, tirada em 18 de dezembro de 2025, mostra uma mulher lendo um livro em uma livraria em Pequim

ADEK BERRY / AFP

No ano passado, a Librairie Avant-Garde de Nanquim proibiu a fotografia com flash, os tripés e as sessões fotográficas sem permissão que "interferiam na leitura", disse Yuan Jia, um leitor assíduo desta cidade.

No coração de Pequim, em um antigo templo taoísta reconvertido em livraria, dezenas de turistas pedem chá ou passeiam entre as mesas com artigos de decoração à venda.

"Os livros proporcionam uma margem de lucro relativamente baixa", afirma sua fundadora Juli Hu, que abriu a loja em 2024.

A livraria dá as boas-vindas a quem tira fotos para publicá-las na internet e organiza frequentemente exposições culturais.

"Vender livros definitivamente não pode ser o núcleo que sustenta uma livraria inteira", assinala Hu. "Tem que haver outras coisas".