Chefe da Segurança Interna dos EUA critica prefeito de Nova York um dia após agente do ICE balear imigrante dominicano na cidade

Chefe da Segurança Interna dos EUA critica prefeito de Nova York um dia após agente do ICE balear imigrante dominicano na cidade - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, criticou nesta sexta-feira o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e as chamadas políticas de “cidade santuário”, um dia depois de um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) balear o dominicano Oscar Belgal, de 28 anos, dentro do carro em que estava com o filho de 5 anos, no Bronx. O prefeito, por sua vez, classificou o caso como revoltante e disse que a criança ficou “traumatizada e aterrorizada”.

Contexto: Imigrante dominicano é baleado por agente do ICE na frente de criança de 5 anos em Nova York Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp A polícia de Nova York divulgou nesta sexta-feira as imagens das câmeras corporais dos policiais que chegaram ao local logo após os disparos. Nelas, Belgal aparece sentado no chão, algemado, enquanto pessoas na rua gritam contra os agentes do ICE. Um dos policiais comenta que há uma arma no local. Em seguida, a equipe carrega o dominicano até o banco traseiro da viatura e discute como pressionar o ferimento.

O secretário chamou Belgal repetidas vezes de “bandido” e de “o pior dos piores”. Ao lado de Marcos Charles, um dos principais dirigentes do ICE, acusou o dominicano, que segundo o governo estava no país ilegalmente, de ligação com uma gangue e listou crimes atribuídos a ele, como roubo e furto qualificado. Em entrevista coletiva, Mullin afirmou que as regras de Nova York deixam os cidadãos “menos seguros” ao restringir a cooperação local com as autoridades de imigração.

Segundo Charles, Belgal acelerou o carro em direção aos agentes, que abriram fogo por temer pela própria segurança. Mullin disse que os agentes não sabiam que havia uma criança no veículo, mas nenhum vídeo que confirme essa versão foi divulgado. O secretário disse ainda que o agente ou os agentes envolvidos serão afastados enquanto durar a investigação, sem informar quantos. De acordo com a comissária de polícia de Nova York, Jessica Tisch, um agente disparou sete vezes e atingiu Belgal no pescoço, abaixo da orelha esquerda. Imagens de uma câmera da polícia municipal, citadas por Tisch à rede americana CNN, mostram um agente à paisana se aproximando da janela do motorista com a arma em punho e o carro avançando para fora do enquadramento, sem registrar os disparos. A criança não se feriu. Queda de braço Mullin afirmou que Trump ofereceu entregar Belgal à polícia de Nova York, mas que Mamdani não aceitou. O prefeito disse ter passado duas horas ao telefone com o presidente e com o secretário na noite de quinta-feira, tentando, sem sucesso, negociar a libertação do dominicano. — Deixei claro ao presidente e ao secretário o nosso pedido de que os agentes do ICE deixassem o local completamente, assim como a exigência de que o ICE interrompa suas ações de fiscalização em Nova York. Essas ações estão tornando a cidade menos segura, estão deixando a cidade aterrorizada — afirmou Mamdani, segundo a CNN. 'Luto migratório': Centenas de brasileiros deportados pelo governo Trump viveram nos EUA por mais de 15 anos, e outros 3.700 deixaram familiares no país Segundo ele, os agentes que cercaram o carro usavam coletes de construção e máscaras que escondiam o rosto, e nada permitia identificá-los como agentes do ICE Oscar Belgal, um imigrante dominicano, foi baleado em um bairro na divisa entre Manhattan e o Bronx. Dakota Santiago / The New York Times A governadora do estado, Kathy Hochul, também entrou na disputa. Segundo Mullin, ela se dispôs a ajudar o governo federal a deter cerca de 100 pessoas em situação irregular no estado, desde que fosse avisada com antecedência, mas pediu a suspensão das operações de imigração no estado, o que o secretário recusou. “Expressei indignação em nome dos nova-iorquinos e pedi que interrompam as operações de fiscalização do ICE em Nova York”, escreveu Hochul no X.

Líderes locais e vereadores, ainda de acordo com a CNN, cobraram que a Procuradoria-Geral do estado abra uma investigação independente. A New York Immigration Coalition, organização de defesa dos imigrantes, fez a mesma exigência. Para o presidente do distrito de Manhattan, Brad Hoylman-Sigal, documentados ou não, os moradores da cidade são “nova-iorquinos em primeiro lugar”. — Queremos justiça para esta família, queremos justiça para este bairro. E, como já disse antes, repito hoje, precisamos acabar com o ICE — afirmou o deputado federal Adriano Espaillat, de Nova York. Reduto democrata, Nova York limita ao máximo sua cooperação com o ICE, e a atuação federal na cidade se intensificou desde a volta de Donald Trump à Casa Branca. Uma auditoria municipal publicada em maio apontou que 5.567 pessoas foram presas pelo ICE em Nova York e arredores entre 20 de janeiro de 2025 e 10 de março de 2026. Prisões sem antecedentes dispararam Mullin citou Belgal como exemplo de que o ICE persegue “o pior dos piores” em sua ofensiva nacional. Os dados da própria agência, porém, mostram que as prisões de pessoas sem antecedentes criminais dispararam, principalmente nos meses seguintes à confirmação de Mullin no cargo.

O tema virou um problema para os republicanos às vésperas das eleições de meio de mandato do mês que vem, e alguns integrantes do partido afirmam que a ofensiva de Trump contra a imigração “foi longe demais”. Ainda assim, nesta semana, a direção do ICE orientou os agentes a prender mil pessoas a mais por dia, segundo duas fontes ouvidas pela CNN. Veja: ICE planeja contratar 5 mil novos funcionários para reforçar campanha de deportações do governo Trump De acordo com Mullin, Belgal cumpria liberdade condicional, e o ICE queria prendê-lo porque acredita que ele tinha conhecimento “direto ou indireto” de um ataque a tiros que feriu um agente aduaneiro de folga em Manhattan, em julho de 2025. Agentes já haviam tentado prendê-lo em setembro, mas ele fugiu. O dominicano foi transferido para um centro de detenção fora do estado de Nova York, e o ICE pretende deportá-lo o mais rápido possível, segundo Charles. Foi o primeiro caso de disparo envolvendo agentes do ICE em Nova York desde o início da ofensiva de Trump contra a imigração. No mês passado, um agente do ICE baleou um venezuelano durante uma abordagem de trânsito em Austin, no Texas. No verão, agentes de imigração mataram um mexicano em Houston e um colombiano no Maine. Com AFP e New York Times

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo