Inglaterra quer aplicar multa de quase R$ 700 a passageiros que tocarem música alta em ônibus

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Passageiros que reproduzirem músicas e vídeos em volume alto nos ônibus da Inglaterra poderão receber multas de até 100 libras (o equivalente a cerca de R$ 675), segundo novas medidas anunciadas pelo governo britânico para combater comportamentos antissociais no transporte público.

Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp A proposta também prevê punições para quem jogar lixo fora do lugar, usar cigarros eletrônicos ou agir de maneira ameaçadora. Nos trens, onde a reprodução de música em volume elevado já é proibida por lei, o governo lançará uma campanha nacional de conscientização. A aplicação das novas regras nos ônibus ainda depende de aprovação do secretário dos Transportes. As autoridades locais poderão estabelecer restrições específicas e aplicar multas fixas de até 100 libras. Os motoristas não serão responsáveis pela fiscalização, que caberá a agentes autorizados, incluindo profissionais de segurança do transporte e policiais. O governo também divulgou novas orientações sobre os poderes de fiscalização introduzidos no início deste ano. Como funcionarão as punições Nos trens, a legislação proíbe desde 2005 a reprodução de música em volume elevado e o canto. Passageiros que desrespeitarem uma advertência para interromper o comportamento poderão ser retirados da composição ou multados em até mil libras. A Transport for London (TfL), responsável pelo metrô de Londres, também proíbe a reprodução de música e outros conteúdos em volume alto. Segundo a empresa, os agentes inicialmente pedem que o passageiro interrompa o barulho. Caso ele se recuse, poderá ser obrigado a deixar o trem ou denunciado para eventual processo judicial. A campanha nacional voltada aos passageiros ferroviários será divulgada nos sites das operadoras, nas redes sociais e dentro dos vagões. O slogan será: “compartilhem o vagão, não o barulho”. Música alta é alvo de reclamações O hábito de reproduzir sons em volume elevado em espaços públicos recebeu diferentes denominações em inglês, entre elas loudcasting e sodcasting. Pesquisas publicadas nos últimos anos pela Ofcom, pela YouGov e pela Transport for London indicaram que a maioria dos entrevistados desaprova esse tipo de comportamento. Andy Burnham defendeu a iniciativa e destacou o incômodo provocado por pessoas que assistem a vídeos ou ouvem música em volume alto durante as viagens. — Todos nós já estivemos em um trem quando alguém começa a tocar música ou vídeos em volume alto no celular. Isso irrita e pode estragar rapidamente a viagem — afirmou. Justin, morador de Newcastle upon Tyne, aprovou a proposta, mas levantou dúvidas sobre sua aplicação prática. Ele afirmou que o comportamento antissocial o levou a deixar de usar ônibus “devido aos níveis de comportamento antissocial, incluindo essa presença indesejada de um concerto de áudio da rolagem interminável das redes sociais de alguém”. O passageiro disse que prefere utilizar o próprio carro para evitar o incômodo.

— Preferiria muito mais desfrutar da própria companhia, ouvindo sua própria música, no isolamento do carro — afirmou. Michael Solomon Williams, da Campaign for Better Transport, também avaliou que o comportamento antissocial pode afastar pessoas do transporte público, sobretudo aquelas com diferentes necessidades de acessibilidade. Ele, porém, questionou como as autoridades locais conseguirão garantir o cumprimento das regras, especialmente quando for necessária a presença policial nos ônibus. — Quando as autoridades locais são responsáveis pela fiscalização, há algumas dúvidas sobre como uma força policial local poderá ser acionada nos serviços de ônibus, por exemplo, onde normalmente não vemos a atuação da Polícia Britânica de Transportes — declarou. Governo orienta passageiros a denunciar infrações Chris McDonald, ministro da Ciência, Pesquisa e Inovação, explicou ao programa BBC Breakfast que passageiros poderão comunicar ocorrências aos funcionários do transporte ou à Polícia Britânica de Transportes, sem precisar confrontar diretamente a pessoa responsável pelo comportamento incômodo “ou com a Polícia Britânica de Transportes, se desejarem”.

— Eles não precisam confrontar a pessoa por conta própria se não se sentirem confiantes para fazer isso — disse. A orientação busca permitir que os passageiros relatem infrações sem se expor a possíveis conflitos. O Partido Conservador e os Liberais Democratas criticaram aspectos da proposta e afirmaram que a eficácia das medidas dependerá da capacidade de fiscalização.

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