A Character.AI, plataforma de chatbots criada pelo brasileiro Daniel de Freitas, entrou com pedido de falência nos Estados Unidos e colocou seus ativos à venda. A Disney apresentou uma oferta inicial de US$ 20 milhões, que poderá ser superada por outros interessados.
O pedido voluntário foi apresentado sob o Capítulo 11 da lei de falências americana. O mecanismo permite que a empresa continue funcionando enquanto conduz a venda sob supervisão da Justiça.
A Character.AI anunciou o processo na segunda-feira (12). A companhia pretende vender todos ou praticamente todos os seus ativos e concluir o processo entre o fim de novembro e o início de dezembro.
Segundo documentos judiciais citados pela Reuters, a Character Technologies, responsável pela plataforma, declarou ativos e dívidas estimados entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões cada. Oferta da Disney não inclui o aplicativo
Antes de pedir falência, a Character.AI fechou um acordo para que a Disney apresentasse a primeira oferta pelo negócio. De acordo com o comunicado da empresa, os US$ 20 milhões cobrem uma licença perpétua e não exclusiva sobre parte da propriedade intelectual e determinados direitos da companhia.
A Disney também fornecerá serviços de transição com antigos funcionários da Character.AI que contratou. A proposta servirá de referência para a disputa pelos ativos, mas outros interessados poderão oferecer valores ou condições melhores.
Qualquer transação dependerá da aprovação do tribunal. O aplicativo continua funcionando durante o processo.
As assinaturas pagas permanecem ativas e a cobrança não mudou. A companhia afirma que avisará os clientes com antecedência caso a venda afete os recursos incluídos nos planos.
A continuidade do serviço dependerá do resultado da negociação. No comunicado aos usuários, a Character.AI informou que encerrará a plataforma se não receber uma proposta que preveja a manutenção do aplicativo.
Os usuários ainda podem exportar suas conversas ou excluir as próprias contas pelo site e pelo app. O pedido de falência ocorre após um período de pressão jurídica, regulatória e operacional, segundo o CEO Colin Adams.
A Reuters informa que a Character.AI e o Google chegaram neste ano a um acordo em uma ação movida pela mãe de um adolescente de 14 anos da Flórida que morreu por suicídio. A ação alegava que um chatbot da plataforma havia incentivado o jovem.
A Character.AI também enfrenta processos movidos pelos Estados de Kentucky e Pensilvânia. Segundo a Reuters, Kentucky acusa os chatbots de incentivar usuários a se cortar, passar fome ou morrer por suicídio.
A ação da Pensilvânia sustenta que robôs da plataforma se apresentavam como médicos. O brasileiro por trás da Character.AI
Daniel de Freitas fundou a Character.AI em 2021 ao lado de Noam Shazeer, também ex-engenheiro do Google. Segundo um post publicado pelos fundadores, o brasileiro criou e liderou o desenvolvimento do Meena e do LaMDA, modelos de inteligência artificial voltados a conversas abertas com usuários.
A plataforma chegou ao público em 2022 com uma proposta que antecipou a onda dos chamados companheiros de IA. No serviço, os usuários podem criar chatbots com personalidades próprias ou inspirados em personagens conhecidos e conversar com eles por texto ou voz.
A empresa afirma receber milhões de visitantes por mês. Em 2024, o Google licenciou parte da tecnologia da Character.AI e recontratou De Freitas e Shazeer, segundo a Reuters.
A startup continuou funcionando de forma independente, sob nova administração. A aproximação com a Disney ganhou força em setembro deste ano, quando Karandeep Anand deixou o comando da Character.AI para assumir o cargo de diretor de tecnologia da companhia de entretenimento.
Integrantes da equipe técnica também foram contratados. Segundo a Reuters, a Disney havia enviado uma notificação à startup em setembro de 2025, exigindo a retirada de chatbots inspirados em personagens protegidos por direitos autorais.
Agora, a companhia apresenta a oferta que servirá de referência para o leilão judicial. Mais Lidas
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