A decisão de Lore Improta de retirar os implantes de silicone após enfrentar complicações chamou atenção para problemas que podem surgir depois de uma cirurgia mamária. A dançarina relatou ter identificado alterações no material e descoberto que o modelo utilizado estava relacionado a um recall do fabricante.
Na mesma ocasião, também corrigiu a diástase abdominal, alteração que pode surgir durante a gravidez e modificar o formato da barriga. Diástase pós-parto: o que Malu Borges faz para recuperar o abdômen
Virginia Fonseca reacende discussão sobre próteses de silicone; entenda o que mudou Entre os problemas que podem ocorrer está a contratura capsular, quando o tecido que se forma naturalmente ao redor do silicone fica endurecido e começa a apertar o implante.
A mudança pode provocar dor, deixar as mamas mais rígidas e alterar sua aparência. "O encapsulamento é uma resposta normal do corpo a qualquer prótese utilizada no organismo humano.
No caso do silicone, essa cápsula normalmente é fina e macia, sem causar repercussões. O problema acontece quando ela se torna espessa e endurecida, condição chamada de contratura capsular.
Nesse processo, a cápsula comprime a prótese, podendo provocar deformidade estética nas mamas e dor", explica o cirurgião plástico Ricardo Monteiro. Quando há dor ou mudanças no formato dos seios, uma nova cirurgia pode ser necessária.
Nesses casos, o médico pode retirar o implante e o tecido endurecido ao redor dele. Depois, a paciente pode optar por colocar outro ou não utilizar mais silicone, dependendo de suas condições e expectativas.
A troca, no entanto, não garante que o problema não volte a acontecer. "Como a primeira abordagem dela foi realizada com a troca da prótese, pode ocorrer uma nova contratura capsular, como ela mesma relatou", afirma.
A cirurgiã plástica Juliana Lusvarghi, especialista em cirurgias de contorno corporal e formada pelo Hospital Heliópolis, explica que a forma como a substituição é feita também pode influenciar o resultado. Por isso, o médico considera a posição em que o implante estava e avalia se é necessário fazer alguma mudança durante a nova cirurgia.
Recall de silicone: o que significa e quais cuidados tomar? Outro ponto do relato de Lore foi a relação entre o modelo utilizado e um recall anunciado pelo fabricante.
Esse tipo de comunicado acontece quando a empresa identifica algum problema em determinados produtos e alerta sobre possíveis riscos ou medidas que precisam ser adotadas. Isso não significa que todas as mulheres que receberam aquele modelo terão problemas.
Ainda assim, saber qual produto foi utilizado é importante para acompanhar eventuais avisos. "O recall acontece quando é identificado um problema de segurança que pode afetar determinados modelos ou moldes.
As empresas anunciam mundialmente esses recalls quando necessário. Por isso, é muito importante que a paciente mantenha os documentos de garantia dos implantes, para comprovação e acompanhamento de possíveis comunicados", orienta Juliana.
A recomendação é guardar os documentos recebidos após a cirurgia, que identificam o fabricante e o modelo utilizado. Caso seja divulgado algum alerta, a paciente deve procurar seu médico para saber se precisa tomar alguma providência.
É possível fazer duas cirurgias plásticas de uma só vez? Além da retirada e substituição dos implantes, Lore também corrigiu a diástase abdominal.
A condição acontece quando os músculos do abdômen se afastam, algo comum durante a gravidez, por causa do crescimento do útero. Em algumas mulheres, eles não voltam completamente à posição anterior após o parto, o que pode deixar a barriga mais saliente e provocar sensação de fraqueza na região.
A correção é feita por meio de pontos que aproximam novamente os músculos e pode ser associada à abdominoplastia, cirurgia que também retira o excesso de pele da barriga. Fazer mais de um procedimento na mesma cirurgia é possível, mas nem sempre é indicado.
A decisão depende da saúde da paciente, da duração prevista da operação e da complexidade de cada intervenção. Uma cirurgia para corrigir problemas relacionados ao silicone, por exemplo, pode exigir mais tempo e cuidados do que uma simples troca de implantes.
Juliana também chama atenção para uma resolução publicada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), em 2026, que estabelece restrições ao agendamento de cirurgias eletivas com previsão inicial de seis horas ou mais como procedimento único. As regras devem ser consideradas no planejamento das intervenções.
A possibilidade de reunir diferentes procedimentos deve ser discutida com o cirurgião e o anestesista. Mais do que aproveitar uma única internação, é preciso considerar os riscos envolvidos e o tempo necessário para a recuperação.
O Globo