Enquanto algumas pessoas esperam o aniversário para reunir amigos, ganhar presentes e celebrar mais um ano de vida, outras preferem deixar a data passar sem grandes comemorações. Foi o caso de Luciana Gimenez, que chamou atenção ao revelar que não gosta de celebrar o próprio aniversário.
A declaração trouxe à tona uma experiência conhecida como birthday blues, expressão usada para descrever a tristeza, a ansiedade ou o desconforto que podem surgir quando a data se aproxima. 'Rom-com lips': o batom das protagonistas dos anos 2000 está de volta; saiba como usar
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Embora tenha ganhado espaço nas redes sociais, o termo não corresponde a um diagnóstico psiquiátrico. Os sentimentos associados a essa experiência podem ter diferentes motivos, como o medo de envelhecer, a passagem do tempo, lembranças de momentos difíceis ou a frustração com expectativas que não se concretizaram.
O aniversário também pode funcionar como uma espécie de balanço pessoal. A mudança de idade costuma despertar reflexões sobre escolhas, relacionamentos, carreira e projetos que ainda não saíram do papel.
Em determinadas fases, completar 30, 40, 50 ou 60 anos pode intensificar a sensação de que algumas conquistas deveriam ter acontecido antes. O médico Ciro Jorge do Nascimento, que atua na área de saúde mental, explica que datas simbólicas podem estimular comparações entre aquilo que uma pessoa planejou e o que conseguiu realizar.
Em uma análise sobre os balanços emocionais de fim de ano, ele chamou atenção para o peso dessas cobranças. "O fim do ano costuma funcionar como um período de balanço emocional.
Muitas pessoas começam a comparar aquilo que planejaram com o que realmente conseguiram realizar, e essa cobrança pode gerar sentimentos de fracasso, ansiedade e tristeza. O problema aparece quando esse sofrimento se torna persistente, interfere nas relações e compromete a capacidade de trabalhar, descansar e aproveitar atividades que antes eram prazerosas", explica.
Essa cobrança também pode aparecer nos aniversários, especialmente quando a pessoa sente que sua trajetória não corresponde ao que imaginava para determinada idade. Questões relacionadas à vida profissional, aos relacionamentos, à maternidade e à aparência podem entrar nessa conta.
A pressão para comemorar também pode influenciar Outro aspecto é a expectativa social em torno da data.
Nas redes sociais, aniversários costumam ser associados a festas, viagens, declarações de carinho e grandes celebrações. Essa exposição pode reforçar a ideia de que a ocasião precisa ser especial e que demonstrar felicidade faz parte da comemoração.
Para quem não se identifica com esse comportamento, a pressão pode aumentar o desconforto. Há pessoas que preferem passar o dia com poucos amigos, em família ou até sozinhas.
Outras simplesmente não gostam de receber atenção. Nenhuma dessas escolhas, por si só, indica um problema emocional.
A psicóloga Letícia de Oliveira observa que períodos de sobrecarga também podem interferir na maneira como uma pessoa vivencia situações que costumavam ser prazerosas. Ao falar sobre esgotamento emocional, ela destaca que o cansaço acumulado nem sempre é percebido imediatamente.
"O esgotamento emocional não surge necessariamente de um dia para o outro. Ele pode ser resultado de meses de sobrecarga, ausência de descanso e dificuldade para estabelecer limites.
A pessoa continua cumprindo suas obrigações, mas percebe que está cada vez mais irritada, desmotivada e sem energia até para atividades que antes eram prazerosas", explica. No caso do birthday blues, as reações variam.
Algumas pessoas ficam mais introspectivas, outras sentem vontade de se isolar, choram com facilidade ou experimentam ansiedade diante das mensagens e dos encontros. A data também pode trazer lembranças de perdas, conflitos familiares e experiências desagradáveis vividas em aniversários anteriores.
Quando a tristeza merece atenção? Não gostar de comemorar o aniversário ou preferir uma celebração discreta não significa, necessariamente, que exista um problema de saúde mental.
A atenção deve se voltar para a intensidade e a duração do sofrimento, especialmente quando a tristeza persiste, afeta a rotina ou vem acompanhada de isolamento, desesperança e perda de interesse por atividades habituais. Nessas situações, procurar ajuda profissional pode ser importante para compreender o que está por trás do desconforto.
Também vale rever as expectativas em torno da data e entender que não existe uma maneira certa de celebrar. Para algumas pessoas, isso pode significar organizar uma festa.
Para outras, aproveitar um programa tranquilo, encontrar alguém querido ou simplesmente tratar o dia como qualquer outro. A chegada de uma nova idade não precisa vir acompanhada de grandes comemorações nem de uma avaliação sobre tudo o que foi conquistado até ali.
O Globo