Chapecó registra maior evento climático dos últimos 50 anos após passagem de tornado durante El Niño ‘muito forte’

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Ventos de até 126 km/h percorreram cerca de 16 quilômetros, deixaram centenas de imóveis danificados e mobilizaram uma grande operação de reconstrução no município Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.

A passagem de um tornado por Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, provocou o que a Defesa Civil Municipal classifica como o maior evento climático dos últimos 50 anos no município. O fenômeno, que atingiu uma área urbana da cidade pela primeira vez com essa proporção, deixou um rastro de destruição, com destelhamentos, estruturas danificadas e árvores derrubadas.

As rajadas de vento chegaram a 126 km/h, e a área atingida pelo tornado se estendeu por aproximadamente 16 quilômetros. Até a manhã desta quinta-feira (5), 854 residências já haviam solicitado auxílio com coberturas, conforme balanço apresentado pelo diretor de Proteção e Defesa Civil de Chapecó, Walter Parizotto.

Em entrevista à NDTV Record, Parizotto destacou a dimensão incomum do fenômeno e a extensão da área atingida. “Esse é um tornado sem muito precedente histórico.

Ele tem uma área muito grande, próxima a 16 quilômetros, isso é muito incomum em tornado aqui na nossa região”, afirmou. Segundo o diretor, uma parcela significativa da trajetória passou por áreas menos densamente habitadas, o que ajudou a reduzir os impactos sobre a população.

Apesar da força dos ventos e dos danos registrados, não houve mortes em decorrência do fenômeno em Chapecó. A manhã desta quinta-feira foi dedicada ao levantamento dos prejuízos e ao início dos trabalhos de reconstrução.

Segundo a Defesa Civil, 854 residências já haviam solicitado auxílio para receber materiais de cobertura. A estrutura da Prefeitura foi mobilizada para atuar em diferentes frentes, incluindo limpeza de ruas, corte de árvores, recolhimento de entulhos, assistência social e atendimento de saúde.

A Defesa Civil concentrou os esforços na distribuição de materiais para cobrir imóveis danificados. O trabalho foi organizado por ruas, com equipes avançando de forma sequencial para agilizar o atendimento às famílias.

Momento em que tornado começa a se formar em Chapecó: vídeo registra o início do fenômeno que provocou destruição em diferentes pontos do município.Vídeo: Tiktok/Reprodução/ND Mais Um dos desafios enfrentados pelo município é a disponibilidade de materiais para reconstrução dos telhados.

Segundo Parizotto, a demanda não está restrita a Chapecó, já que outras cidades atingidas pelos temporais também precisam de telhas e lonas. A expectativa da Defesa Civil era ampliar a distribuição a partir desta quinta-feira, com a chegada de novas remessas de materiais e o reforço das equipes de atendimento.

O município também anunciou a ampliação dos limites de doação por meio de um decreto assinado pelo prefeito. A medida permitirá aumentar a quantidade de materiais disponibilizados às famílias, respeitando os critérios legais.

Além das equipes que percorrem as ruas, uma frente específica deve atender moradores de casos isolados, que não estejam nas áreas inicialmente priorizadas. A Defesa Civil disponibilizou um sistema para que os moradores registrem os estragos nas residências.

O cadastro permite dimensionar a quantidade de materiais necessária e identificar os casos que exigem atendimento prioritário. As fotografias dos danos também são importantes para documentar a assistência prestada, já que as entregas precisam ser registradas para prestação de contas aos governos estadual e federal.

Parizotto ressaltou, porém, que quem não conseguiu realizar o cadastro inicialmente não ficará sem atendimento. Os moradores também poderão registrar os prejuízos quando as equipes chegarem às respectivas ruas.

A ocorrência em Chapecó acontece em uma primavera marcada pela influência de um El Niño de intensidade muito forte. No início de outubro, a Defesa Civil de Santa Catarina e a Epagri/Ciram apontaram uma anomalia de 2,2°C na temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial, patamar que elevou a classificação do fenômeno.

Na ocasião, a previsão meteorológica já indicava maior frequência de tempestades organizadas, chuva acima da média e atenção para episódios de tempo severo no Oeste catarinense. O meteorologista Piter Scheuer havia destacado que outubro e novembro poderiam concentrar períodos mais ativos, com possibilidade de vendavais, granizo, chuva intensa e tornados.

A influência do El Niño, entretanto, não significa que o fenômeno provoque diretamente cada tornado. A formação depende de uma combinação específica de condições atmosféricas.

Além de Chapecó, Xanxerê também registrou a ocorrência de um tornado nesta quarta-feira (4). A passagem de uma linha de instabilidade provocou estragos em pelo menos 15 municípios do Oeste catarinense.

Em Xanxerê, mais de 200 residências haviam sido atingidas e atendidas com lonas até as 15h30 de quarta-feira. Houve ainda quedas de árvores, veículos tombados na BR-282 e obstruções na SC-480.

A confirmação do tornado no município ocorreu após a análise de imagens do radar meteorológico de Chapecó, que identificou sinais característicos do fenômeno. Os dois episódios reforçam a dimensão do temporal que atingiu o Oeste catarinense e mobilizou equipes de emergência em diferentes municípios.

Victória Veiga é repórter do portal ND Mais na redação de Chapecó, de onde escreve matérias sobre o que há de mais importante no Oeste de Santa Catarina. Acompanha e assina notícias sobre segurança pública, trânsito, agronegócio e infraestrutura, cobrindo Chapecó, Concórdia, Xanxerê, São Miguel do Oeste e cidades do Meio-Oeste e Extremo-Oeste catarinense.

Formada em Jornalismo pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), atua na área desde 2024 e tem experiência em jornal impresso e digital, além de atuação na área de marketing, o que contribui para uma comunicação estratégica e multiplataforma. Leia mais ▾

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