247 – Alimentar-se na capital mineira exige uma fatia cada vez maior da renda do trabalhador. Em setembro, a cesta básica calculada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), atingiu o valor de R$ 802,99 em Belo Horizonte.
O montante representa um avanço de 5,72% frente ao mês de agosto e uma alta acumulada de 11,72% no período de 12 meses. O valor da cesta compromete mais da metade do piso nacional, atualmente fixado em R$ 1.621.
Ao considerar o salário mínimo líquido de referência, o custo de R$ 802,99 equivale a 53,55% da remuneração de um trabalhador. Na prática, a aquisição dos produtos básicos exigiu uma jornada de 108 horas e 59 minutos de trabalho no mês.
A metodologia do Dieese calcula a quantia necessária de 13 itens essenciais para a nutrição de um adulto, sem incluir demais despesas familiares ou hábitos de consumo específicos. O movimento de encarecimento da alimentação na capital também foi ratificado por outros levantamentos.
A Fundação Ipead/UFMG identificou uma variação positiva de 1,44% em setembro e de 3,93% em 12 meses, alcançando R$ 768,10 para o conjunto dos 13 produtos pesquisados. As variações entre os levantamentos decorrem das metodologias próprias aplicadas por cada instituição, ainda que ambas confirmem o forte peso da comida sobre os rendimentos familiares.
A pressão inflacionária da cesta foi puxada principalmente por itens de grande presença na mesa dos mineiros. Entre agosto e setembro, os preços médios do tomate e da batata dispararam 51,86% e 34,73%, respectivamente.
Na comparação com setembro do ano anterior, os aumentos foram ainda mais expressivos: o tomate subiu 69,07%, a batata avançou 67,49% e o feijão carioquinha acumulou alta de 38,58%. Em contrapartida, houve alívio nos preços de itens como a banana, que caiu 25,54% no ano, e o café em pó, com recuo de 21,60%.
Diante da elevação dos custos, as opções de compra na capital apresentam variações de acordo com os estabelecimentos e marcas. Uma sondagem do site Mercado Mineiro exemplifica as oscilações encontradas na cidade: um pacote de 5 kg de arroz branco da marca Tia Jú era vendido por R$ 19,99 no Apoio Mineiro, no bairro Horto, enquanto o pacote de 5 kg do arroz Camil registrava R$ 23,80 no Supermercados BH, na região do Grajaú/Gutierrez — uma diferença de R$ 3,81 entre marcas distintas.
No segmento de carnes, o quilo do contrafilé foi anunciado a R$ 49,99 no Mercadão da Carne, em Saramenha, enquanto o quilo do chã de dentro bovino custava R$ 42,80 no Supermercados BH.
Brasil 247