Economia circular na indústria: empresas ainda têm dificuldade para medir o retorno financeiro

Economia circular na indústria: empresas ainda têm dificuldade para medir o retorno financeiro - Foto
Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Pesquisa da CNI mostra que, na economia circular, parte das indústrias não consegue relacionar reciclagem, reparo e reuso aos resultados financeiros da operação. Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.

Na economia circular, uma empresa pode gastar menos com matéria-prima e descarte depois de começar a reaproveitar materiais. Identificar quanto dessa economia veio da iniciativa, porém, exige uma conta que parte das indústrias brasileiras ainda não consegue fazer.

Na Sondagem Especial de Economia Circular 2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 57% das empresas pesquisadas desenvolvem pelo menos uma prática, como reciclagem, logística reversa ou reparo. Entre as que adotam essas iniciativas, 40% relatam retorno financeiro.

Outros 21% não conseguiram vincular o retorno à prática desenvolvida, e 25% não souberam responder ou não responderam. No entanto, não identificar o retorno não significa que ele inexista.

Também não permite afirmar que a iniciativa seja rentável. O levantamento ouviu 1.693 empresas das indústrias extrativas, de transformação e da construção em fevereiro deste ano e foi publicado em junho.

Os resultados apontam uma dificuldade concreta: acompanhar o destino dos materiais e avaliar o dinheiro envolvido nesse percurso são tarefas diferentes. Uma embalagem retornável ajuda a exemplificar o problema.

A empresa paga por sua aquisição, organiza o recolhimento, inspeciona as unidades e prepara cada uma para outro uso. Em compensação, pode reduzir a necessidade de comprar embalagens novas.

O custo do transporte aparece na logística. A redução das compras fica com o suprimento.

A limpeza e a inspeção consomem recursos da operação. Eventuais perdas precisam entrar no cálculo.

Se cada área acompanha apenas sua parte, nenhuma dessas contas, isoladamente, mostra o resultado completo. O mesmo raciocínio vale para uma sobra de produção que passa a ser utilizada como insumo, como na casca de arroz que vira energia em uma fábrica.

O benefício pode estar na compra evitada, na receita obtida com a venda do material ou na redução do gasto com destinação. Mas separar, armazenar e transportar essa sobra também custa.

Reaproveitar um material pode não eliminar o seu custo. Mas altera a forma como ele entra na operação e o valor que ainda pode produzir.

Reduzir o volume enviado para descarte é um resultado mensurável. Demonstrar retorno financeiro exige considerar despesas adicionais, investimento inicial e tempo de utilização.

Uma peça recuperada pode custar menos que uma nova, mas exigir inspeção, testes e garantia. Uma embalagem pode suportar vários ciclos, mas perder a vantagem econômica se poucas unidades retornarem ou se o transporte for caro.

Essas condições mostram por que uma solução funciona em uma operação e não se paga em outra. Distância, escala, qualidade do material e regularidade do fluxo interferem na conta.

Há ainda uma dificuldade de comparação. Uma queda no gasto com matéria-prima pode decorrer do reaproveitamento, mas também de menor produção, mudança de fornecedor ou redução de preços.

Atribuir toda a economia à iniciativa produziria uma avaliação incompleta. A pesquisa da CNI registra a percepção dos empresários.

Não é uma auditoria dos investimentos nem uma medição independente da rentabilidade de cada projeto, assim como outras sondagens da entidade sobre investimento industrial. O reparo e a recuperação de componentes acrescentam outra dimensão à análise.

Nesse caso, o valor econômico pode vir da prestação de um serviço ou da comercialização de uma peça recuperada. Para o comprador, a comparação passa a incluir o custo de manter o produto em uso.

Para o fornecedor, entram atividades como diagnóstico, manutenção, recolhimento e recuperação. Isso modifica o trabalho necessário para atender o cliente.

Uma empresa que vende equipamentos novos não tem, automaticamente, uma operação capaz de receber unidades usadas, avaliar seu estado e colocá-las novamente no mercado. O material precisa conservar utilidade.

O cliente precisa confiar no resultado. E a receita precisa cobrir o trabalho de recuperação.

A possibilidade técnica de reaproveitamento é apenas uma parte da viabilidade comercial. As compras registram a aquisição.

A produção acompanha o consumo. A logística transporta.

A manutenção prolonga o uso. A destinação encerra o percurso do material que não será recuperado.

Quando esse percurso muda, os efeitos podem atingir vários departamentos sem aparecer como um resultado único. É nessa passagem que a economia circular ganha relevância empresarial.

Uma sobra pode deixar de representar apenas um gasto com descarte e passar a abastecer outra produção. Um componente usado pode continuar atendendo a uma necessidade pela qual alguém está disposto a pagar.

O valor não está garantido pelo reaproveitamento. Depende do que o material ainda permite fazer, de quem precisa dele e de quanto custa colocá-lo novamente em uso.

Publicação Original ND Mais ndmais.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →