'Cenário pantanoso': Felipe Recondo explica a crise no STF e o 'cada um por si' entre ministros

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Fonte da notícia: CBN CBN

O STF vive uma nova crise, deflagrada após a divulgação de conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, no âmbito das investigações sobre o Banco Master. Para explorar os desdobramentos políticos e jurídicos desse cenário, o Estúdio CBN desta sexta-feira (4) recebeu Felipe Recondo, colunista do jornal O Globo e autor de diversos livros sobre o Supremo.

Segundo Recondo a crise não surge de um vácuo, já existiam desconfianças no STF. A divulgação das conversas apenas agravou um ambiente que já vinha apresentando sinais de desgastes institucionais: “Já existia uma desconfiança em torno dos agentes que estão investigando, tanto o Caso Master quanto o INSS, sobre as decisões de cada um, a posição de cada um”, afirmou.

O colunista acrescentou que “o governo desconfiava de André Mendonça” por achar que o calendário eleitoral faria com que “ele avançasse ou não em certas investigações”. Ele analisou que o cenário se tornou de “cada um por si”: “Isso faz com que a gente tenha esse cenário pantanoso de cada um por si, e cada um tentando fazer aquilo que considera correto, mas buscando atalhos”.

Fim do inquérito das fake news? A tensão escalou após Mendonça retirar o sigilo do relatório da PF que detalhava a troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes. Encurralado, o ministro reagiu pedindo a investigação de Mendonça dentro do inquérito das fake news, manobra que Recondo classificou como um ataque “kamikaze”: “O ministro Alexandre de Moraes estava nas cordas e usa o inquérito como sua última arma, como aqueles aviões kamikazes da Segunda Guerra. Isso é tenebroso, porque ele foi aberto em 2019 para dar instrumentos excepcionais à Corte em um momento de crise, e não para defesa própria ou investigação de um colega”, enfatizou. Alvo de controvérsias jurídicas devido à sua longevidade e à concentração de poderes investigativos no próprio Supremo Tribunal Federal, o inquérito das fake news volta ao centro do debate com a sinalização do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, favorável ao seu encerramento.

Para Felipe, a conclusão do procedimento sob a relatoria de Alexandre de Moraes não apenas é inevitável, como se tornou um desfecho iminente: “Fim haverá e vai ser agora. O inquérito vai ser arquivado, ele tem que ser arquivado e, graças ao ministro Alexandre de Moraes, a tarefa do ministro Edson Fachin se tornou mais fácil.”

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