Cautela pauta Wall Street antes dos resultados de eleição

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Fonte da notícia: Valor Valor

Com os investidores à espera dos resultados das eleições de meio de mandato (“midterms”) nos EUA, com possibilidade de vitória do Partido Democrata na Câmara e no Senado, o sentimento de cautela predominou nos mercados ontem, diante de uma ampla divisão entre os agentes em relação aos efeitos do pleito sobre os ativos.

Em resposta, os juros subiram e o dólar ficou praticamente estável, enquanto a recuperação do setor de tecnologia deu suporte ao mercado acionário em Wall Street. A recuperação das “techs”, após os fortes ajustes de posições nos últimos dias, impulsionou as bolsas americanas, embora o resultado trimestral aquém do esperado da Apple tenha arrefecido os ânimos.

O Dow Jones encerrou em queda de 0,38%, aos 51.787,04 pontos. O S&P 500 ganhou 0,37%, aos 7.568,96 pontos; e o Nasdaq subiu 0,83%, aos 25.372,01 pontos, refletindo o avanço do setor de tecnologia, de 1,31%.

No fim do dia, o rendimento da T-note de dois anos subia a 4,631%, de 4,606% do ajuste anterior, enquanto a taxa da T-note de 5 anos avançava a 4,963%, de 4,909%. O índice DXY, que mede a relação do dólar com uma cesta de moedas fortes, tinha leve alta de 0,12%, aos 101,86 pontos.

A perda da maioria do Partido Republicano é dada como certa ao menos na Câmara, enquanto a disputa no Senado é um pouco mais acirrada, com os Democratas em busca de transformar os atuais 45 assentos para ao menos 51, o que lhes daria maioria. Os efeitos no ativos financeiros de uma “onda azul”, porém, são mais incertos, sobretudo nos juros longos, devido à condução da política fiscal, e na bolsa, considerando possíveis freios no desenvolvimento da estrutura de inteligência artificial (IA).

Para os estrategistas do Citi, não seria uma surpresa caso os Democratas conquistassem ambas as casas legislativas. Isso levaria, segundo eles, a um aumento nos subsídios à saúde e ao adiamento de cortes no setor, podendo fazer com que os dois anos finais do mandato do presidente Donald Trump continuem concentrados na política comercial e exterior.

“Portanto, o desfecho destas eleições parece seguir um padrão típico: queda nas ações e alta nos rendimentos, com o dólar e o setor de energia apresentando uma reversão de tendência após o evento”, avalia o Citi. O banco projeta que a ponta longa da curva de juros pode avançar, juntamente com spreads mais amplos, à medida que o mercado precifica riscos fiscais extremos, enquanto o dólar e os preços do petróleo podem reverter parte da apreciação recente.

“Em um cenário de vitória democrata em todas as frentes, os mercados poderiam incorporar nas projeções para os próximos anos regulações ou salvaguardas mais rigorosas sobre a expansão da infraestrutura de IA. Isso teria repercussões não apenas para o mercado acionário dos EUA.”

Exemplificando a divergência no mercado com relação aos efeitos do resultado das midterms, a gestora Nuveen ressalta que os ativos tendem a se estabilizar rapidamente após a votação e a entregar retornos expressivos nos 12 meses seguintes, exceto em períodos de grave estresse financeiro.

“Um caminho mais acidentado para o desenvolvimento da IA pode arrefecer o entusiasmo, mas é improvável que a eleição, por si só, represente um ponto de inflexão.” Os efeitos para o mercado de juros, por sua vez, podem ser mais expressivos.

Segundo a gestora, um governo dividido poderia trazer certa tranquilidade aos investidores, ao limitar o espaço para expansão fiscal e aliviar a pressão sobre a ponta longa da curva. “As ações dependem da concretização dos resultados financeiros e do retorno sobre os investimentos em IA, enquanto os títulos de renda fixa permanecem mais sensíveis aos riscos de inflação e às pressões fiscais persistentes.

Independentemente do que indiquem as pesquisas eleitorais esta semana, pouco será definido quanto à trajetória dos mercados daqui em diante”, afirma a Nuveen. A dinâmica no mercado de energia, por outro lado, foi ditada pelas atuações do governo americano no Oriente Médio.

O petróleo iniciou a sessão sob pressão, após o The Wall Street Journal reportar que os EUA atingiram a ilha iraniana de Qeshm. A reversão do movimento aconteceu após Trump dizer à Fox que o país cortará o financiamento a Israel até o fim do ano.

O petróleo Brent com entrega para janeiro caiu 1,12%, cotado a US$ 103,60 por barril, na ICE. O WTI com vencimento em dezembro cedeu 0,38%, negociado a US$ 96,09, na Nymex.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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