A Justiça do Ceará determinou o arquivamento da investigação contra João Munhoz Neto por suspeita de feminicídio e indução ao suicídio da namorada, Isabelle Caracristi, de 22 anos, que morreu após cair do terraço de um prédio em Fortaleza, em 13 de setembro. A decisão, proferida na terça-feira, 20, pela 5ª Vara do Júri de Fortaleza, encerra a apuração desses dois crimes e encaminha o processo referente às demais acusações aos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da comarca.
João continua respondendo por violência psicológica contra a mulher e fraude processual, crimes pelos quais foi indiciado pela Polícia Civil. Ele permanece em liberdade, sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
A defesa não foi localizada. A morte de Isabelle levou a Polícia Civil a investigar as circunstâncias da queda e o relacionamento da jovem com João, de 34 anos.
A apuração reuniu depoimentos, imagens de câmeras de segurança, laudos periciais e mensagens trocadas pelo casal. A investigação não atribuiu ao namorado responsabilidade criminal pela morte da jovem, mas identificou elementos que levaram ao indiciamento por outros dois crimes.
Isabelle morreu em 13 de setembro, após cair do 23º andar de um prédio no bairro Aldeota, em Fortaleza. As circunstâncias da morte passaram a ser investigadas, com análise das imagens de segurança do edifício e dos elementos periciais para esclarecer o que aconteceu antes da queda.
Segundo informações divulgadas durante a investigação, imagens registraram Isabelle sozinha em determinado momento antes da morte, a perícia apontou que a queda foi voluntária, sem indícios de agressão física ou luta corporal. A apuração também buscou esclarecer a dinâmica do relacionamento e se havia indícios de que a jovem tivesse sido submetida a violência psicológica ou induzida ao suicídio.
A investigação incluiu a análise de vídeos e de mensagens encontradas no celular de João, além de depoimentos de pessoas próximas ao casal. Entre os elementos divulgados estavam conversas que indicariam comportamentos de controle e pressão psicológica na relação.
O comportamento de João após a morte também foi alvo de apuração. Em depoimento divulgado pelo Fantástico, da TV Globo, a síndica do prédio relatou que ele pediu que procurassem o celular de Isabelle nas lixeiras do condomínio e impediu a entrada de familiares da jovem no apartamento.
A reportagem também apresentou informações sobre a limpeza do imóvel, a retirada de objetos e a intenção de colocá-lo à venda. Esses episódios foram considerados no contexto da investigação sobre possível fraude processual, um dos crimes pelos quais João acabou indiciado.
A polícia também analisou mensagens e relatos relacionados à dinâmica financeira do casal, incluindo cobranças e empréstimos mencionados durante a apuração. João foi preso em 22 de setembro, durante o andamento das investigações.
Em 1º de outubro, deixou a prisão e passou a responder em liberdade, sujeito a medidas cautelares. Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil o indiciou por violência psicológica contra a mulher e fraude processual.
A investigação não resultou em indiciamento por feminicídio ou indução ao suicídio, acusações que também estavam entre as hipóteses apuradas inicialmente.
O Liberal