Christa Pike, que sobreviveu a duas doses de uma substância usada em injeção letal na semana passada durante uma execução fracassada no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, "está consciente e falando", informaram seus advogados em um comunicado nesta terça-feira. Entenda: Repórter que acompanhou quase 500 execuções nos EUA diz nunca ter visto caso como o de Christa Pike Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países Pike continua recebendo cuidados médicos intensivos em um hospital de Nashville, segundo seus advogados. O prognóstico permanece incerto, mas eles esperam "uma longa recuperação". “Christa é uma sobrevivente e enfrentará a recuperação um dia de cada vez”, disseram os advogados.
Segundo o Centro de Informação sobre a Pena de Morte dos EUA, Pike, de 50 anos, é considerada a primeira pessoa a sobreviver “após receber injeções com doses letais de substâncias usadas em execuções”.
Nos últimos dias, ela estava inconsciente e respirando com a ajuda de um ventilador, enquanto a equipe médica trabalhava para eliminar a substância de seu organismo. Os advogados ressaltaram que Pike, que segundo eles sofreu queimaduras e outros ferimentos no braço, continuava algemada e presa à cama. Contexto: Defesa de mulher que sobreviveu à injeção letal pede que pena passe para prisão perpétua Pike estava no corredor da morte havia três décadas, após ser condenada por seu envolvimento na tortura e no assassinato, em 1995, de uma colega de turma, Colleen Slemmer, de 19 anos. Pike tinha 18 anos na época. Seus dois cúmplices, também adolescentes, escaparam da pena de morte. Ela teria sido a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. Os advogados renovaram o apelo para que o governador do Tennessee, Bill Lee, republicano, comute a pena de Pike para prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Risco de nova execução A condição médica de Pike provavelmente determinará se as autoridades do Tennessee tentarão executá-la novamente. A Suprema Corte dos EUA proibiu a execução de uma pessoa que não tenha uma “compreensão racional” do motivo pelo qual está sendo condenada à morte. Lee, nos últimos meses de seu mandato como governador, decretou uma moratória sobre as execuções, já que esta é a segunda vez neste ano que o Tennessee não consegue cumprir uma pena de morte. Sob pressão: Chefe do sistema prisional do Tennessee renuncia após falha na execução de Christa Pike nos EUA Uma porta-voz de Lee não respondeu imediatamente a uma pergunta sobre se ele concederia clemência a Pike. Republicanos do estado, porém, incluindo a senadora Marsha Blackburn, favorita para ser eleita governadora no próximo mês, sinalizaram o desejo de prosseguir com as execuções usando um método diferente: a cadeira elétrica. Investigação A falha na tentativa de executar Pike levantou questões importantes sobre o processo sigiloso de injeção letal no Tennessee e sobre até que ponto o estado divulgará o que deu errado durante a execução. O Departamento de Correções do estado não respondeu às perguntas sobre o estado de saúde de Pike, além de confirmar sua hospitalização na semana passada. — Todo o sistema judicial é colocado em xeque, pela maneira como isso aconteceu e pela forma como está sendo tratado — disse David Raybin, advogado de Nashville que ajudou a redigir a lei de pena de morte do Tennessee. O fracasso no caso de Pike, somado ao sigilo do governo, está “minando a confiança do público”. Caso Christa Pike: Sem apoio de farmacêuticas e médicos experientes, Estados dos EUA usam alternativas menos confiáveis em injeção letal O diretor das prisões do estado do sul renunciou, e Lee suspendeu a aplicação da pena de morte após a execução malsucedida. No sábado, o governador disse que havia escolhido Ed Stanton, ex-procurador federal, para conduzir uma investigação independente. Os advogados de Pike devem comparecer a um tribunal em Nashville, na quarta-feira, para argumentar que um juiz deve ordenar ao estado que preserve os registros relacionados à execução fracassada e que um especialista examine quaisquer quantidades residuais de substâncias químicas, além das seringas e dos tubos intravenosos utilizados na execução. O procurador-geral do Tennessee ainda não respondeu judicialmente às petições apresentadas pelos advogados de Pike. (Com New York Times e AFP)
O Globo