Carrie Coon espera que "o tempo cure as feridas" da sua personagem Bertha Russell, que transformou a sociedade e sua família e agora, na quarta temporada de A Idade Dourada, precisa lidar com as consequências disso, incluindo a crise na união com George Russell (Morgan Spector).
A atriz e outros integrantes do elenco conversaram com a Quem sobre os rumos dos seus personagens na série da HBO Max, ambientada na década de 1880, que aborda as mudanças culturais e tecnológicas que ocorreram nos Estados Unidos do final do século XIX. "O George precisa tomar jeito.
Ele está passando por um momento bem difícil. Ele ainda não metabolizou direito o que aconteceu com ele e, portanto, não consegue comunicar isso para a Bertha.
Então, eu espero que o tempo cure todas as feridas. Vai exigir muito mais trabalho do que apenas tempo", analisou Carrie sobre a personagem, que, apesar dos conflitos com o companheiro, está feliz por ter encaminhado de forma bem-sucedida o futuro da filha Gladys (Taissa Farmiga) com um casamento arranjado com Hector, o Duque de Buckingham (Ben Lamb).
Carrie Coon e Morgan Spector Reprodução/Instagram
Para Morgan Spector, o cenário do seu personagem é de colapso pessoal e moral após ele não suportar mais a ambição social implacável de Bertha para subir de status. "É um recomeço total de vida para o George.
O relacionamento dele com a Bertha entrou em crise e ele sente que falhou catastroficamente como pai. A capacidade dele de compartimentar as coisas — ser implacável nos negócios e um pai amoroso em casa — foi por água abaixo.
Sem a parceria com a Bertha, que dava sentido a tudo o que ele fazia, George perdido e sem rumo. Todos os negócios dele existem a serviço da família e dessa relação.
Até mesmo a serviço das ambições dela. Trata-se de realizar juntos aquilo que desejam conquistar como casal.
Se tudo o que ele faz deixa de servir a esse propósito, acho que ele realmente fica à deriva. Preencher esse vazio é, de certa forma, o tema do restante da temporada", disse ele.
Taissa Farmiga Divulgação
Um dos pontos altos do novo ano é o amadurecimento de Gladys. Agora a personagem passa a encarar Bertha de igual para igual.
Taissa Farmiga, sua intérprete, destacou que essa transformação abre espaço para uma nova dinâmica de respeito mútuo entre mãe e filha. "Pela primeira vez, Gladys está se tornando uma mulher que impõe autoridade e respeito, inclusive da sua mãe.
É lindo ver que elas estão começando a se entender. Ser mãe abriu os olhos dela para um aspecto que ela jamais pensaria antes, porque era uma criança antes de ter uma criança.
É bonito ver a relação, evoluir de uma adolescente protegida para alguém que olha a mãe nos olhos e diz: 'Eu vejo você, e concordo' ou 'discordo de você'." Carrie Coon
Reprodução/Instagram Reflexões sobre o papel da mulher e sobrevivência
Além de comentar os rumos da ficção, Carrie fez uma reflexão profunda ao ser questionada sobre a busca por felicidade — um paralelo entre a vida contemporânea e as limitações impostas às mulheres do século XIX. "Muito do que significa ser uma mulher no mundo é sobre sobrevivência.
Bertha tem todos os privilégios, assim como eu, mas a dança entre ser mãe e uma mulher que trabalha em uma sociedade que critica ambas as coisas não é fácil. Para uma mulher como Bertha, há um buraco insaciável.
Não a imagino contente. Feliz, talvez não o tempo todo, mas com momentos de prazer no meio da sobrevivência — que é a própria condição humana."
A atriz ainda fez uma crítica sobre as condições que uma mulher comum enfrenta atualmente nos Estados Unidos. Ela citou a proibição de aborto em alguns estados mais conservadores.
"Sinto que a erosão que estamos vivenciando em nossos direitos civis básicos vai atingir as populações marginalizadas primeiro, e as mulheres também. Digo, a crise na saúde nos Estados Unidos...
Mulheres estão sangrando em estacionamentos e morrendo de sepse. Estão tentando tirar o nosso direito ao voto.
É sobre sobrevivência todo santo dia."
Revista Quem