O núcleo mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu uma reformulação no momento em que ele busca o quarto mandato. A dinâmica da campanha eleitoral e investigações da Polícia Federal que atingiram aliados forçaram mudanças e promoveram um reequilíbrio de forças. O grupo com ligação maior ao presidente é formado pelo presidente do PT e coordenador do comitê de reeleição, Edinho Silva; pelo ex-ministro Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo; pelo ministro Sidônio Palmeira (Comunicação Social); e por Paulo Okamotto, ex-presidente da Fundação Perseu Abramo. Videocast 'Fora da bolha': Mendonça atira, Moraes contra-ataca e Cury vai a 10% na onda do Rivotril Faça o teste do GLOBO: Com qual candidato a presidente você mais se identifica? Também se reaproximaram o tesoureiro da campanha, José de Filippi Júnior, e Gilberto Carvalho, responsável pela agenda. Na área econômica, os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento), além do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, são as principais referências. Interlocutores de Lula, no entanto, avaliam que o presidente mantém o estilo centralizador, o que reduz o poder de influência do entorno. Entre os integrantes do grupo, Okamotto é tido como alguém que “fala de igual para igual” com Lula. Cabe a ele a organização logística da campanha e a mobilização, seja em eventos ou nas redes. As reuniões com o presidente são semanais: na terça-feira, o aliado circulava pelo Palácio do Planalto enquanto Lula participava do evento que anunciou melhorias para públicos de shows. Ex-ministros Gleisi Hoffmann e Jaques Wagner se distanciam de núcleo-duro de Lula durante campanha Edilson Dantas/9-10-2018/Agência O Globo — O desafio da campanha é ampliar o diálogo com quem está sem esperança no futuro, especialmente trabalhadores autônomos, que estão sem perspectiva de crescimento. Isso alimenta o sentimento de pouco ânimo com a política. Precisamos mostrar as evoluções do nosso projeto até aqui — diz Okamotto. Conversas rotineiras Lula também mantém conversas de rotina com Edinho sobre cenário e conjuntura política. Uma delas ocorreu na quarta-feira, quando discutiram a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Na saída da conversa, o presidente do PT gravou um vídeo em que afirma que “ninguém está acima da lei”, tom adotado por Lula nas falas públicas sobre o assunto. A formulação das mensagens passa por Sidônio, que, mesmo tendo continuado no governo, mantém influência na campanha por meio do marqueteiro Raul Rabelo. Um dos desafios da estratégia segue sendo a aproximação com o mundo evangélico, segmento em que, segundo a Quaest, Flávio Bolsonaro (PL) tem 39% das intenções de voto, contra 26% de Lula. A tentativa de aproximação vem sendo conduzida por Gilberto Carvalho, que defende a realização de um evento de Lula com líderes religiosos, e por Janja, que tem se reunido com evangélicos para quebrar resistências. A primeira-dama também frequenta o comitê de campanha e tem ido ao ar em participações no programa eleitoral, com atenção ao voto feminino. Na área econômica, há uma mudança geracional. Durigan virou interlocutor de Lula junto ao empresariado, especialmente após os ruídos gerados pelas falas do ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli enquanto o plano de governo estava sendo formulado. Com isso, tem feito agendas com representantes do mercado financeiro para tratar da necessidade de ajuste nas contas em um eventual quarto mandato, enquanto Lula prefere não abordar o tema. Já Moretti é um dos formuladores da atual política fiscal e de ações que o governo usa como bandeira eleitoral. Blindagem Por outro lado, Lula se distanciou de importantes aliados que entraram na mira da Polícia Federal. O senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo de busca e apreensão no inquérito que apura as fraudes no Banco Master, deixou a liderança do governo no Senado por causa do desgaste. Amigo de Lula há mais de 40 anos, ele está dedicado à própria campanha à reeleição e deixou o convívio mais próximo. Na mesma situação está Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula e assessor mais próximo do petista nos últimos 11 anos — o sociólogo era um dos filtros políticos de Lula e teve ampla convivência com ele desde a prisão em Curitiba. O assessor, que já havia saído do Palácio do Planalto, deixou a campanha do petista após mensagens revelarem que recebeu repasses da lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no governo. Lula também não tem por perto a ex-presidente do PT e ex-ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann, que abriu mão do primeiro escalão para disputar uma vaga ao Senado no Paraná a pedido do presidente. Gleisi foi uma das principais conselheiras de Lula na campanha de 2022 e teve canal direto com o petista durante a maior parte do terceiro mandato. Outro auxiliar de primeira hora era Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, que saiu do Planalto para buscar um posto no Senado pela Bahia.
Notícias
Campanha e ações da PF mudam núcleo próximo a Lula, e nomes como Wagner e Gleisi se distanciam
Fonte da notícia:
O Globo
O Globo
Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?
Acessar matéria no site O Globo