Cientistas do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine estimaram nesta sexta-feira (23) que as ondas de calor mataram 50.391 pessoas na Europa durante o verão de 2026. Os dados constam em dois estudos revisados por pares e publicados na revista científica Nature Health, com foco nos meses de junho, julho e agosto.
Das mortes contabilizadas, 32.619 ocorreram diretamente pelo calor adicional gerado pela queima de carvão, petróleo e gás, o triplo do que seria registrado sem o aquecimento global. “Mesmo em um clima pré-industrial, para algumas dessas ondas de calor, esperaríamos ver uma alta mortalidade.
Mas essa mortalidade foi empurrada substancialmente para cima pelo aquecimento causado pelo homem, principalmente pela queima de combustíveis fósseis”, disse Clair Barnes, cientista climática do Imperial College London e autora principal dos estudos. A pesquisa avaliou 854 áreas urbanas em 30 países europeus, grupo que reúne os 27 estados-membros da União Europeia, além de Reino Unido, Noruega e Suíça, abrangendo cerca de 40% da população dessas nações.
Para chegar aos números, os cientistas cruzaram modelos epidemiológicos e simulações climáticas com dados demográficos, indicadores socioeconômicos e a oferta de serviços de saúde locais, suprindo a falta de registros oficiais governamentais, que costumam contabilizar apenas casos diretos de insolação e deixam de fora o agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias.
Os principais marcos e impactos identificados pelos pesquisadores ao longo de 2026 incluem: Acompanhe: El Niño muito forte tem 95% de chance no fim de 2026 e pode gerar seis ondas de calor até dezembro
O total estimado de 50.391 óbitos no verão de 2026 representa um aumento de 71% nas cidades analisadas em relação ao verão de 2022, até então o mais letal da série histórica iniciada em 2000, quando foram registradas 29.480 mortes nas mesmas áreas urbanas, superando também as 28.462 mortes estimadas no verão de 2003.
Segundo o cientista climático e bioestatístico do Imperial College London, Garyfallos Konstantinoudis, coautor dos estudos, o salto na mortalidade persistiu mesmo após o controle estatístico do crescimento populacional urbano, comprovando que a alta decorreu da intensidade prolongada das cúpulas de calor.
“Acredito que podemos afirmar, com bastante segurança, que o verão de 2026 provavelmente foi o pior já registrado em termos de mortalidade relacionada ao calor em grande parte da Europa“, afirmou Clair Barnes. A pesquisadora também declarou que “em grande parte da Europa ocidental e setentrional, nossa infraestrutura simplesmente não foi projetada para lidar com o tipo de temperaturas que estamos vendo agora, devido aos efeitos do aquecimento causado pelo ser humano”.
Continue lendo: Cientistas alertam: seca severa na Europa é intensificada por mudanças climáticas Os cientistas apontam que o número real de vítimas em todo o continente europeu é superior ao divulgado, pois o levantamento considerou apenas 40% da população dos 30 países e não incluiu os óbitos de maio de 2026.
Diante do avanço das temperaturas, agências de saúde da Alemanha, Espanha, França e Reino Unido passaram a emitir estimativas de mortes por calor ainda durante o andamento do verão, e os novos estudos chegam semanas antes da realização da conferência anual do clima da ONU na Turquia.
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