BTG projeta queda de 30% do Ibovespa em dólar e juro real em 8%

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Fonte da notícia: Brazil Journal Brazil Journal

O BTG Pactual prevê um selloff de ativos brasileiros nas próximas semanas. O banco projeta uma queda de 17% do Ibovespa para cerca de 170 mil pontos – o patamar em que estava no fim de agosto e abaixo dos 192 mil pontos antes do primeiro turno.

Para o investidor estrangeiro, o estrago deve ser maior: combinada à desvalorização cambial, a queda da Bolsa em dólares poderá chegar a 30%, segundo o BTG – que estima uma depreciação do real entre 10% e 15%.  O Ibovespa ex-Petrobras e Vale negocia a 10,9x o lucro de 12 meses à frente, com um desconto de 8,4% em relação à média histórica.

Na visão do banco, esse múltiplo deverá cair para um desvio-padrão abaixo da média, refletindo a deterioração das expectativas para os juros e a economia. Os juros reais de longo prazo, hoje em 6,7% depois de uma queda de 81 pontos-base nos últimos 30 dias, poderão superar os 8% e permanecer nesse nível se não houver uma política fiscal crível, diz o BTG.

Para colocar o número em perspectiva, os juros reais de longo prazo ficaram, em média, em 6,7% durante o terceiro mandato de Lula e em 6,9% no segundo. Nos dois mandatos de Dilma Rousseff, as médias foram de 5,5% e 6,5%, respectivamente.

“Juros reais de longo prazo mais elevados, um câmbio mais depreciado e expectativas de inflação desancoradas podem impedir que o Banco Central acelere o ritmo de redução dos juros de curto prazo,” escreve a equipe de Carlos Sequeira no BTG. O Focus aponta para uma Selic de 12% ao final de 2027 – mas, “dependendo da política fiscal do novo governo, até mesmo essa projeção poderá se mostrar otimista,” diz o banco.

Nesse ambiente, o BTG recomenda investir em empresas exportadoras, pouco alavancadas e com receitas menos dependentes do ciclo doméstico. Entre elas: Gerdau, Suzano, Vale, Prio, SLC Agrícola, 3tentos, São Martinho, WEG e Embraer.

O BTG também destaca empresas com balanços sólidos, baixa alavancagem ou posição líquida de caixa, que tendem a sofrer menos com a manutenção dos juros elevados – como Caixa Seguridade, Porto Seguro e Ambev. Nas empresas de maior capitalização, os destaques são Petrobras — beneficiada pela exposição ao petróleo e ao dólar, além da distribuição de dividendos — e Itaú, visto pelo BTG como o banco brasileiro mais bem posicionado para atravessar um cenário econômico adverso.

O relatório traz ainda uma comparação do comportamento dos mercados após as eleições presidenciais de 2018 e 2022, mostrando como a direção da política econômica e, principalmente, as expectativas para os juros influenciaram o desempenho das ações. Nos 12 meses seguintes à vitória de Jair Bolsonaro, em 2018, o Ibovespa subiu 26,2%.

Já no primeiro ano após a eleição de Lula, em 2022, o índice caiu 1,8%. A diferença foi ainda mais expressiva quando se observa o desempenho das ações individualmente.

Um mês depois da eleição de 2018, 66,7% das aproximadamente 70 ações analisadas pelo BTG acumulavam ganhos. Em 2022, esse percentual foi de apenas 27,5%.

Após 12 meses, 81,2% dos papéis tinham retornos positivos no primeiro episódio, ante 52,2% no segundo. A eleição de 2022 também foi especialmente negativa para setores ligados à economia doméstica.

No primeiro mês após o segundo turno, o índice de consumo da B3 caiu 10,9%, o de instituições financeiras recuou 10,1% e o imobiliário perdeu 13,1%. Na direção oposta, o índice de materiais básicos avançou 12,8%.

Para o BTG, a explicação passa principalmente pelo comportamento dos juros. Após a eleição de 2018, as expectativas para a Selic foram sendo revisadas para baixo, enquanto os juros reais de dez anos caíram cerca de 215 pontos-base ao longo dos 12 meses seguintes.

Em 2022, o movimento foi diferente: as expectativas para a política monetária pioraram inicialmente, penalizando sobretudo as empresas mais dependentes do mercado interno.

Publicação Original Brazil Journal braziljournal.com
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