Pela primeira vez, o Brasil assumiu a liderança global como o principal importador de automóveis da China no acumulado de janeiro a maio deste ano. O Ranking das Exportações Chinesas (de janeiro a maio) mostram que o país importou, no período, um total de US$ 5,2 bilhões em automóveis, sendo US$ 4,5 bilhões em veículos eletrificados. No ano passado, no mesmo período, o Brasil havia comprado US$ 2,1 bilhões e era o sexto maior importador de carros chineses. Disputa: venda de carros chineses dispara no Brasil e derruba preços nas lojas de novos e usados Os números da alfândega chinesa consolidados nos primeiros cinco meses do ano revelam a liderança brasileira à frente de países que sempre estiveram nas primeiras posições entre as importações chinesas de carros. Depois do Brasil, a Rússia aparece em segundo lugar com compras que totalizaram US$ 5 bilhões. Em terceiro, está a Bélgica com importações de US$ 3,8 bilhões, seguida do Reino Unido com US$ 3,8 bilhões e da Austrália, com compras de US$ 3 bilhões no período. Já segundo números do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), considerando todo o primeiro semestre, as importações de veículos eletrificados chineses pelo Brasil somaram US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre. As compras de automóveis chineses responderam por aproximadamente 15% de tudo o que o Brasil importou do país asiático, calcula o CEBC.
Vendas de híbridos dobraram As importações de carros híbridos plug-in dobraram, alcançando US$ 2,79 bilhões, enquanto as de veículos elétricos praticamente quadruplicaram, chegando a cerca de US$ 2 bilhões. Os carros híbridos, que ocupavam a 25ª posição na pauta de importações no primeiro semestre de 2025, passaram para o sexto lugar em 2026, com um aumento de 239% no valor importado.
As compras das três categorias somaram o dobro das importações gerais do Brasil vindas da França (US$ 2,6 bilhões), por exemplo. Desde março, as compras de carros elétricos, híbridos e híbridos plug-in avançaram de forma ininterrupta mês a mês, segundo o CEBC.
De acordo com análise do CEBC, esse desempenho reflete a estratégia dos importadores brasileiros de antecipar embarques antes da elevação gradual das tarifas sobre veículos eletrificados, que passaram a 35% no início de julho deste ano, ante alíquotas que variavam entre 25% e 30% para veículos elétricos e híbridos.
Além disso, barreiras tarifárias elevadas impostas por mercados desenvolvidos (como Estados Unidos e União Europeia) contra os elétricos chineses fizeram as montadoras redirecionarem o foco de suas exportações em massa para o mercado nacional. Com a definição da nova alíquota de importação, a entrada de veículos chineses deverá se acomodar no segundo semestre, embora os volumes anuais possam permanecer em patamar semelhante ou até aumentar, o que significa que os carros chineses devem seguir ocupando um espaço importante no mercado brasileiro.
O Globo