O presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, disse nesta terça-feira (8) que quer dissipar a ideia de que é apenas uma questão de tempo até que o banco central britânico aumente as taxas de juros, em vez de uma possibilidade que depende de desdobramentos econômicos e geopolíticos.
Bailey afirmou que os investidores precificaram aumentos de juros acima do que pode ser explicado apenas pela trajetória mais provável da política do BoE, um “prêmio de risco” que reflete preocupações razoáveis do mercado sobre novos aumentos nos preços de energia.
Em uma audiência com parlamentares, Bailey e outros três membros do Comitê de Política Monetária (MPC) mantiveram, em grande parte, suas posições atuais antes do anúncio da taxa de juros do BoE, previsto para 17 de setembro.
“Quando se olha para a curva de mercado e quando se decompõe essa curva tanto quanto possível, vê-se, essencialmente, um prêmio de risco ali”, disse Bailey aos parlamentares do Comitê do Tesouro. “O que quero dissipar é a ideia de que temos um plano secreto, de que sabemos para onde vamos e de que isso é incondicional”, disse Bailey sobre as expectativas de que o BoE aumentará as taxas.
A curva de mercado desta terça-feira mostra um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa do BoE precificado para o fim deste ano, e mais dois para 2027. Ao contrário do Banco Central Europeu (BCE), que aumentou as taxas em junho e deve fazê-lo novamente na quinta-feira (10), o BoE manteve as taxas inalteradas desde o início da guerra envolvendo o Irã, no fim de fevereiro. Os investidores veem pouca chance de um aumento pelo BoE na próxima semana.
Bailey disse que os dados econômicos divulgados desde que o banco central publicou suas previsões em julho vieram um pouco mais fortes do que o esperado e descreveu a atividade como “razoavelmente resiliente.”
O vice-presidente do BoE, Dave Ramsden, e os membros externos do comitê, Megan Greene e Alan Taylor, também participaram da audiência nesta terça-feira. Ramsden disse considerar o cenário para a pressão inflacionária gerada internamente como “relativamente benigno”, citando dados do mercado de trabalho, enquanto Taylor afirmou que manter as taxas de juros em níveis restritivos oferecia um “seguro” contra riscos externos.
Greene, que votou pelo aumento da taxa de juros de 3,75% para 4% em julho, manifestou preocupação de que a duração do atual choque nos preços do petróleo pudesse levar a expectativas mais persistentes de inflação mais alta.
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