Ministro rejeita pressão por contenção de gastos, apesar de a dívida pública ter chegado a 82,5% do PIB em julho O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), rejeitou a pressão por um ajuste fiscal no próximo governo Lula.
Em entrevista à Folha, ele classificou as cobranças do mercado por cortes de gastos como uma “chantagem”. “Os governos Lula sempre tiveram equilíbrio fiscal.
A diferença é que a gente não aceita ajuste fiscal que corta no SUS e na educação, o tesouraço que o Flávio propunha. Esse programa foi derrotado nas urnas.
Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia”, afirmou.
Questionado sobre o crescimento da dívida pública, que passou de 71,7% para 82,5% do PIB entre o fim de 2022 e julho de 2026, Boulos comparou a situação brasileira à de outras economias e disse que o endividamento também aumentou nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e na China.
“Mas algum desses países deixou de fazer um projeto de desenvolvimento nacional? Pelo contrário”, afirmou, ao contestar a pressão por medidas de contenção de gastos. A dívida pública brasileira passou de 72% para 83% do PIB entre 2023 e 2026.
Apesar do aumento do endividamento e da pressão por controle dos gastos, Lula prometeu ampliar programas sociais em seu discurso da vitória. Entre as medidas anunciadas estão a universalização do Pé-de-Meia, hoje voltado a estudantes de baixa renda, e a criação de uma versão universitária do programa.
A ampliação do benefício para todos os alunos do ensino médio poderia custar até R$ 24 bilhões por ano. Já o Pé-de-Meia universitário teria impacto estimado em R$ 4,6 bilhões anuais.
O Antogonista