Benchimol conta os planos para o B55, instituto criado com Street e Vélez para alavancar empreendedorismo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

“Você nunca tem tempo, nunca consigo falar com você. Quando você vai deixar de ser CEO?”, questionou Jorge Paulo Lemann. Ele falava com Guilherme Benchimol, o fundador da XP que, há anos, também tinha como “anjo da guarda” no empreendedorismo outro membro do chamado “Trio 3G”, Beto Sicupira. Foi a provocação de Lemann que fez com que Benchimol deixasse o comando executivo da XP em 2021, após duas décadas. Poucos anos antes, foi André Street, cofundador da Stone, que “encheu o saco” para que o empresário carioca seguisse seu exemplo e abrisse capital na Nasdaq. Dito e feito: em dezembro de 2019, meses depois de a empresa de “maquininha” de cartão estrear na Bolsa americana, lá estava Benchimol tocando o sino na Times Square, em um IPO que avaliou a XP em US$ 15 bilhões. LEIA MAIS: Benchimol, da XP, paga R$ 2 milhões por raquete do tenista João Fonseca Agora, o fundador da XP quer transformar uma vida de conselhos como esses e “mentoria” empreendedora em um programa sistematizado, com o objetivo de ajudar outros empresários a contornar “cascas de banana” que aparecem no caminho e impulsionar seus negócios. Ao lado de Street, do fundador do Nubank, David Vélez, — em tese, seus rivais — e de Christiano Faé (fundador da Accera, vendida à Neogrid), Benchimol cofundou este ano o B55, que se define como instituto de empreendedorismo. A operação começou há cinco meses, com uma centena de empresas pequenas e médias como membros. Esses empreendedores pagam uma taxa anual — o B55 faz segredo sobre o valor — para participar de imersões, reuniões e aulas com 40 “embaixadores”. São, essencialmente, “tubarões” do capitalismo brasileiro, como Jorge Gerdau, Artur Grynbaum (dono do Boticário), Paulo Moll (Rede D’Or), Frederico Trajano (Magalu), José Galló (ex-CEO da Renner), Alex Behring (3G) e o próprio “Trio 3G”. Há ainda um time de mentores, como Romero Rodrigues (fundador do Buscapé) e Amir Bocayuva, advogado e sócio do BMA que participou de algumas das maiores transações da Faria Lima, do IPO da XP ao “divórcio” da Azzas 2154, selado esta semana. — Todo empresário, quando está num estágio um pouco maior como o nosso, quer que o Brasil dê certo. E a melhor maneira para estimular isso é o empreendedorismo. A gente acredita no capitalismo. São os empreendedores que pagam mais impostos, geram mais renda e empregam. Na nossa trajetória, tivemos vários anjos da guarda, e a gente quer dar esse caminho das pedras. A ideia é ajudar a criar empresas melhores que as nossas — conta Benchimol à coluna, acrescentando que o B55 não tem fins lucrativos: — Todo mundo que, digamos, chegou lá se juntou a nós e está doando tempo. A gente não quer grana, a gente quer tempo. Hoje, tem muito empreendedor de palco no Brasil, que até faz bem ao ecossistema. Mas a gente é um instituto de empreendedor “barriga no balcão”. Campus Embora o B55 tenha menos de seis meses de vida, os fundadores já estão planejando uma expansão. Atualmente, o instituto ocupa quase 2 mil metros quadrados no Romeo&Julieta (RLJ), empreendimento da gestora internacional Autonomy Capital localizado na Chácara Santo Antônio, em São Paulo. Mas o B55 já está à procura de um espaço na cidade para abrir, no ano que vem, um campus inspirado no gaúcho Instituto Caldeira. — O Caldeira está indo agora para um espaço de 100 mil metros quadrados. Em São Paulo ainda não tem um lugar desses, mas estamos em busca de um espaço desse tamanho, onde a gente consiga colocar até empresas para operar lá dentro, que tenha dormitório e grandes espaços de eventos. Vamos fechar essa escolha nos próximos meses — explica Christiano Faé, que ocupa o cargo de CEO do instituto, que fará, no fim deste mês, sua primeira conferência, reunindo 3 mil empreendedores. Segundo Benchimol, a “ideia é transformar o campus quase numa cidade”. E o plano é ir além de São Paulo. — Eu vejo a gente tendo várias bases instaladas no Brasil. A vida empreendedora é muito solitária, então há demanda por um espaço onde os empreendedores possam dialogar sobre os percalços dos negócios. O sonho grande é ser o maior hub de empreendedorismo do país — especula o fundador da XP. De MEI a gigantes Benchimol e seus sócios também querem ampliar o escopo dos membros. Por questão de foco, explica, o B55 começou olhando para negócios que já operam e estão em busca de dar o próximo passo. Mas a expectativa é começar a receber empreendedores de todos os tamanhos — mesmo, ressalta Benchimol. — A visão de longo prazo é atender de MEI a empresa grande. Até porque a jornada empreendedora é feita de fases. Você começa guerreiro, colocando a mão na graxa. Depois, você tem que aprender a colocar as pessoas certas nas posições certas, a demitir, contratar e ter um plano sólido de longo prazo — observa o empresário, concluindo: — O Brasil hoje é o segundo país do mundo onde as pessoas mais querem empreender, segundo o Sebrae. A mentalidade do brasileiro é capitalista, de construir o próprio sonho.

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