O desempenho ineficaz apresentado pelo Flamengo tanto em La Plata quanto no Rio de Janeiro justificou a eliminação diante do Estudiantes, na semifinal da Libertadores, na noite de ontem. A derrota por 3 a 2 nos pênaltis — após dois empates sem gols —, que impediu o rubro-negro de defender o posto de campeão e conquistar o pentacampeonato, deixou o vestiário em uníssono tom de chateação após o jogo no Maracanã.
Cabisbaixos, os jogadores conversaram após a eliminação, assumindo a responsabilidade conjuntamente. A ideia é não deixar que um clima ruim crie culpados e afete o restante da temporada.
Lucas Paquetá se tornou o principal representante da decepção do grupo ao chorar na zona mista. O meia teve sua cobrança defendida pelo goleiro Muslera, assim como Jorginho e Bruno Henrique.
— Tristeza total. Falhei quando não podia falhar.
Dói muito, (porque) me preparei muito para esse momento. Infelizmente, não consegui ajudar.
Peço desculpas à Nação. Vamos continuar trabalhando e tentando fazer o nosso melhor — disse Paquetá.
Flamengo eliminado da Libertadores pelo Estudiantes Guito Moreto/Agência O GLOBO
Além dele, Bruno Henrique, Arrascaeta, Emerson Royal e a dupla de zagueiros Léo Pereira e Léo Ortiz pararam para falar com a imprensa na zona mista. O uruguaio, que voltou de maneira surpreendente após fraturar o punho esquerdo no final de setembro, apontou que a equipe "não soube ser ela mesma" em casa.
O restante do elenco e membros do departamento de futebol, incluindo o diretor de futebol José Boto, não quiseram dar declarações. Neste jogo, o presidente Luiz Eduardo Baptista e o vice Flavio Willeman apareceram em um camarote do Maracanã, e presenciaram de perto uma eliminação que estava fora dos planos para a temporada.
A impressão deixada é que não faltou vontade para um grupo que não deixa de ser visto internamente como de jogadores vitoriosos, até pelo lastro de conquistas nos últimos anos. Em momentos do segundo tempo, quando a equipe teve a vantagem numérica, vários deles incentivaram os 72 mil torcedores presentes a empurrá-los ainda mais em busca de um gol.
Um contraste, porém, com os atletas desolados e jogados no chão após a consumação da queda. "Sete finais"
A coletiva do treinador do Estudiantes, Alexander Medina, teve duração de cerca de meia hora, tempo que Leonardo Jardim, comandante do rubro-negro, teve para digerir o revés. Habituado a demonstrar tom leve nas conversas com a imprensa, o português foi menos risonho e mais direto nas respostas, assumindo a culpa pela eliminação, mas também dividindo a culpa com os jogadores pelas escolhas tomadas sobretudo nos pênaltis.
Ele ejxou o campo logo após Muslera defender o pênalti derradeiro, de Bruno Henrique. Passividade em campo, modificações e até a falta de reforços da última janela estiveram entre as perguntas debatidas após a derrota.
Entendeu-se nos bastidores que o Flamengo foi incapaz de fazer valer o favoritismo para chegar à final, onde o Palmeiras já estava aguardando. Leonardo Jardim durante eliminação do Flamengo na Libertadores
Gilvan de Souza/Flamengo De acordo com a programação inicial do departamento de futebol, o elenco recebe folga nesta sexta-feira, e volta aos treinos no sábado e no domingo.
O foco será a preparação para enfrentar o Atlético-MG, na segunda, pela 32ª rodada do Brasileirão — que se tornou a frente única do rubro-negro na temporada. O clube é líder, com 67 pontos, mas tem o Palmeiras logo atrás, com 66.
— O impacto é grande. Todos nós queríamos estar presentes na final e poder ganhar.
Uma segunda Libertadores consecutiva era uma coisa que nunca tinha acontecido e podia acontecer. Com certeza, estamos decepcionados e frustrados.
Certeza que também temos um Campeonato Brasileiro para jogar ainda. Sete rodadas.
Estamos na frente e queremos mostrar qualidade na próxima segunda-feira para tentar ganhar o troféu que ainda disputamos — declarou Jardim. Léo Ortiz citou a necessidade de jogar sete finais daqui para frente:
— A responsabilidade é de todos. Temos uma final na segunda-feira, sete finais agora até o final do ano.
Temos que melhorar o que faltou hoje, mas é outro contexto, e temos que sair desse ano com esse título brasileiro — frisou o zagueiro.
O Globo