O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) chegará à próxima legislatura acompanhado de uma rede de aliados que ajudou a projetar e apoiou nas eleições deste ano. Além de atuar na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), o deputado emprestou sua imagem a candidaturas em diferentes estados e montou um grupo próprio de postulantes ao Congresso e às assembleias legislativas, numa estratégia para ampliar sua influência política dentro da direita a partir de 2027.
O GLOBO levantou o desempenho nas urnas dos candidatos que receberam apoio direto de Nikolas durante a campanha. Dos 30 nomes identificados, 14 foram eleitos e um avançou ao segundo turno.
O saldo inclui três deputados federais, oito deputados estaduais, dois senadores e um governador. Douglas Ruas (PL), candidato ao governo do Rio de Janeiro, disputará o segundo turno.
A formação da chamada “bancada do Nikolas” começou antes mesmo do período oficial de campanha. O deputado reuniu candidatos em Brasília e Belo Horizonte para dias de gravações, participou da produção de materiais de campanha e permitiu que aliados se apresentassem nas redes sociais como “candidatos do Nikolas”.
Internamente, o grupo chegou a ser chamado de “exército”. A principal aposta estava na Câmara dos Deputados.
Nikolas traçou como meta ajudar a eleger ao menos dez deputados federais pelo país e distribuiu sua chancela para além das fronteiras do PL. A rede reuniu candidatos do Novo, PP e Republicanos e permitiu ao parlamentar construir alianças próprias em diferentes estados.
Em Minas Gerais, seu reduto eleitoral, Nikolas também montou um núcleo de nove candidatos à Assembleia Legislativa. O movimento representou uma mudança em relação a 2022, quando Bruno Engler era praticamente o único candidato a deputado estadual que recebia apoio direto do então recém-eleito deputado federal.
Ao longo da campanha, Nikolas ampliou a rede com apoios a outros candidatos nos estados. Em alguns casos, suas escolhas divergiram das prioridades de Flávio Bolsonaro, da família do ex-presidente Jair Bolsonaro e até do próprio PL.
Em Goiás, por exemplo, Nikolas apoiou Sanches da Federal (PP) para a Câmara, enquanto Flávio fez campanha para Major Vitor Hugo (PL). Em Santa Catarina, manteve a proximidade e o apoio a Ana Campagnolo (PL), mesmo depois de a deputada estadual entrar em atrito com integrantes da família Bolsonaro por se recusar a gravar um vídeo pedindo votos para Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado.
A estratégia deu a Nikolas uma estrutura eleitoral própria, formada por políticos que fizeram da associação ao deputado uma das marcas de suas campanhas. O resultado das urnas mostra agora quanto dessa capacidade de mobilização nas redes conseguiu ser convertida em mandatos e qual será o tamanho do grupo ligado ao parlamentar a partir de 2027.
Veja o desempenho dos candidatos apoiados por Nikolas: Câmara dos Deputados
Pedro Pôncio (Novo-SP) - não eleito Lucas Pavanato (PL-SP) - eleito
Guilherme Kilter (Novo-PR) - eleito Hiago Morandi (Novo-RS) - não eleito
Beatriz Borba (Novo-SC) - não eleita Sanches da Federal (PP-GO) - não eleito
Athally Albuquerque (Republicanos-RR) - não eleita Thiago Medina (PL-PE) - eleito
Cassy Monteiro (PL-MS) - não eleita Assembleias Legislativas
Pablo Almeida (PL-MG) - eleito Pedro Luiz (PL-MG) - não eleito
Marcelo Heitor (PL-MG) - eleito Samuel Caires (PL-MG) - não eleito
Pastor Anderson Lima (PL-MG) - eleito Rafhael de Paulo (PL-MG) - não eleito
Roberta Lopes (PL-MG) - eleita Ivison Gomes (PL-MG) - não eleito
Ugleno Alves (PL-MG) - eleito Ana Campagnolo (PL-SC) - eleita
Cabo Bebeto (PL-AL) - eleito Ivan Guedes (Novo-PE) - não eleito
Daverson Matos (PL-MS) - eleito Senado Federal
Domingos Sávio (PL-MG) - eleito Marco Antônio Superman (Novo-MG) - não eleito
Gustavo Gayer (PL-GO) - eleito Oséias Varão (PL-GO) - não eleito
Governos estaduais Flávio Roscoe (PL-MG) - não eleito
Wilder Morais (PL-GO) - não eleito Zucco (PL-RS) - eleito
Douglas Ruas (PL-RJ) - vai disputar o 2º turno
O Globo