Azul e vermelho, burro e elefante: como surgiram as cores e os mascotes dos partidos americanos?

Azul e vermelho, burro e elefante: como surgiram as cores e os mascotes dos partidos americanos? - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Ao contrário da lógica de boa parte da Europa e da América Latina, onde o vermelho costuma ser associado à esquerda e o azul, à direita, nos Estados Unidos, o vermelho identifica os republicanos, e o azul, os democratas. A divisão atual, tão familiar nos mapas eleitorais americanos, é relativamente recente: só se consolidou na virada do século XXI.

Já a história dos mascotes das duas siglas — o burro, dos democratas, e o elefante, dos republicanos — remonta ao século XIX e está ligada ao trabalho de Thomas Nast, um dos mais importantes cartunistas americanos da época. Eleições nos EUA: Acompanhe as últimas informações ao vivo no GLOBO

Virada: Vantagem democrata entre hispânicos dispara com 'dupla traição' de Trump na imigração e no custo de vida Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp

Vermelho x azul As cores dos partidos passaram por diferentes combinações antes que o vermelho se consolidasse como a cor do Partido Republicano, mais conservador, e o azul, como a dos democratas, mais liberais.

Por décadas, os republicanos usavam mais o azul do que o vermelho — cor que também predominava nos uniformes dos soldados do Norte durante a Guerra Civil Americana (1861–1865). Lideradas pelo presidente Abraham Lincoln, as forças da União, como eram chamados os estados que permaneceram sob o governo federal, combateram os estados confederados do Sul, que haviam se separado do país.

Mais tarde, o azul também apareceu em logotipos e propagandas políticas do Partido Republicano. Entenda: Quando saem os resultados das eleições de meio de mandato nos EUA? Depende do estado

Em um dos atlas mais antigos dos EUA, datado de 1883, o azul era usado para marcar os estados onde os Republicanos venceram, enquanto o vermelho registrava os estados com mais votos para os Democratas. Entretanto, os partidos ainda não tinham cor oficial.

Na eleição de 1976, a rede de televisão NBC criou um mapa de plástico dos Estados Unidos com lâmpadas brancas, azuis e vermelhas atrás de cada estado. A regra para a iluminação era: lâmpadas vermelhas para os democratas e azuis para os republicanos.

Na época, o democrata Jimmy Cartes venceu o republicano Gerald Ford e o mapa foi iluminado por várias lâmpadas azuis. Outras emissoras copiaram o modelo do mapa, mas cada um usou a cor que achou melhor para representar cada um dos partidos.

Em 1984, por exemplo, o âncora da ABC David Brinkley afirmou que a emissora usou vermelho para os Republicanos, pois a cor tinha a mesma inicial que o candidato e o partido em inglês; "Red, R, Reagan". Entenda: O que acontece se os democratas vencerem as eleições nos EUA? Entenda como uma derrota pode limitar os poderes de Trump

Nas eleições americanas de 2000, NBC News mostrou votos na Flórida com Bush em vermelho e Gore em azul Reprodução / Youtube NBC News

A convenção atual só se consolidou em 2000, na acirrada disputa presidencial entre George W. Bush (Republicano) e Al Gore (Democrata).

Durante a cobertura da eleição, a NBC News usou o vermelho para representar os republicanos e o azul para os democratas. O New York Times e a revista Time, dois dos veículos mais influentes do país, também adotaram essa combinação em seus mapas eleitorais.

A recontagem de votos na Flórida e a prolongada cobertura da disputa ajudaram a fixar a associação, Burro x elefante

Já a história dos mascotes das duas siglas remonta ao século XIX e está ligada ao trabalho de Thomas Nast, um dos mais importantes cartunistas americanos. O burro foi o primeiro animal a ser usado como mascote político.

Durante a campanha eleitoral de 1828, os adversários de Andrew Jackson, candidato democrata, usavam o animal para ofender Jackson ao fazer um trocadilho com o sobrenome dele. Ao invés de rebater com um apelido para eles, Jackson usou a piada a seu favor e colocou o burro no material de sua campanha e usou o animal como símbolo de sua teimosia.

Entenda: Pesquisas apontam vantagem democrata nas eleições nos EUA. Elas podem estar erradas?

O elefante demorou mais 36 anos para ser usado em uma campanha política. Em 1864, o jornal "Father Abraham" (Pai Abraham) mostrou o animal segurando um cartaz e celebrando uma vitória durante a Guerra Civil dos Estados Unidos.

A expressão "veja o elefante" era uma gíria usada a participação de uma guerra e a lutar bravamente. Entretanto, foi pelas mãos de Thomas Nast, um dos mais importantes cartunistas da história dos EUA, que os animais ganharam projeção e se consolidaram como símbolos dos partidos.

Em 1874, Nast publicou na revista Harper's Weekly a charge The Third-Term Panic. Na ilustração, um elefante identificado como “voto republicano” aparece assustado, tropeçando em placas que representam a inflação, o repúdio e as reformas, enquanto se dirige a um precipício, em meio ao caos político.

A imagem fazia parte de uma série de charges em que Nast recorria a animais para satirizar os partidos e os rumos da política americana. Os republicanos eram frequentemente retratados como um elefante de grandes proporções, assustado e desorientado, enquanto os democratas apareciam associados ao burro, símbolo de teimosia e ignorância.

Com humor e crítica política, o cartunista ajudou a popularizar os dois animais, que acabaram incorporados à identidade das siglas.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →