Autora de livro infantil sobre luto é condenada por matar o marido envenenado nos EUA; entenda
Uma mulher que ganhou notoriedade ao publicar um livro infantil sobre o luto após a morte do marido foi considerada culpada pelo próprio assassinato do companheiro, em um caso que chocou os Estados Unidos. Kouri Richins, de 35 anos, foi condenada por um júri em Utah por envenenar o marido com fentanil, em março de 2022.
Mulher que escreveu livro sobre luto após perder marido é acusada do assassinato dele
Viúva é acusada de matar marido com fentanil dois meses após lançar livro infantil para ajudar filhos a viver luto
De acordo com a rede BBC, a decisão foi tomada após cerca de três horas de deliberação, na segunda-feira. Richins também foi considerada culpada de tentativa de homicídio por um episódio anterior, em que teria tentado matar o marido ao adulterar sua comida.
Segundo a promotoria, o crime foi motivado por interesses financeiros. Durante o julgamento, os investigadores apontaram que Richins acumulava milhões de dólares em dívidas, havia contratado seguros de vida em nome do marido e mantinha um relacionamento extraconjugal.
— Ela queria se separar de Eric Richins, mas não queria abrir mão do dinheiro dele — afirmou o promotor do condado de Summit, Brad Bloodworth.
Os promotores apresentaram mais de 40 testemunhas, incluindo uma mulher que disse ter fornecido as drogas usadas no crime. Já a defesa optou por não convocar testemunhas, e a própria acusada não prestou depoimento.
De acordo com os autos, Richins chegou a tentar envenenar o marido semanas antes da morte, aumentando posteriormente a dose da substância até provocar a overdose fatal. O laudo do médico legista concluiu que Eric Richins morreu com cerca de cinco vezes a dose letal de fentanil no organismo.
Mensagens de texto apresentadas no tribunal indicam que, entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022, a acusada buscou adquirir analgésicos e, posteriormente, solicitou drogas mais potentes, incluindo fentanil, descrito por ela como “algo como o que matou Michael Jackson”.
Na noite do crime, em 4 de março de 2022, Richins ligou para a polícia afirmando ter encontrado o marido inconsciente na cama. Ela relatou ter servido uma bebida alcoólica antes de se deitar com um dos filhos, que passava mal, e disse ter encontrado o companheiro “frio ao toque” ao retornar ao quarto.
O caso ganhou ainda mais repercussão pelo fato de que, dois meses antes de ser presa, em março de 2023, Richins lançou o livro ilustrado “Are You With Me?”, voltado para crianças que enfrentam a perda de um ente querido. A obra foi dedicada ao marido, descrito por ela como “um pai maravilhoso”.
Em entrevistas à época, a autora afirmou que o livro tinha como objetivo ajudar famílias — incluindo seus três filhos — a lidar com o luto. A acusação, no entanto, sustentou que ela acreditava que herdaria um patrimônio superior a US$ 4 milhões com a morte do marido.
Richins se declarou inocente durante todo o processo. A principal acusação, de homicídio qualificado, pode levar a uma pena que varia de 25 anos de prisão à prisão perpétua.
