O partido Novo chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de "terrivelmente soviético" em um post nas redes sociais. A manifestação ocorre em meio ao vaivem de movimentações processuais sobre o comando da Polícia Federal (PF). Inicialmente, no âmbito de ação movida pela legenda, o ministro André Mendonça havia afastado o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, medida revista nesta quarta-feira por Dino. À tarde, porém, o presidente da Corte, Edson Fachin, suspendeu os efeitos das duas decisões. O GLOBO ELEIÇÕES: Participe da comunidade e saiba tudo sobre as campanhas, debates e sabatinas. 'Virou imperador' e 'loucura': Como os presidenciáveis avaliaram a decisão de Dino que recolocou Andrei à frente da PF Na publicação, o Novo, que tem Romeu Zema como candidato à presidência, lembra ter feito uma "forte mobilização para que o Senado" rejeitasse o nome de Dino para o Supremo quando ele foi indicado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A legenda ainda afirma que atuou na produção de um abaixo-assinado contra a nomeação, o que não surtiu efeito.
"Vivemos agora as consequências de ter um ministro terrivelmente soviético", conclui o post. Em 2019, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usou a expressão "terrivelmente evangélico" para prometer a indicação de um ministro com este perfil para o STF. Dois anos depois, o próprio André Mendonça foi encaminhado ao cargo.
Junto às afirmações, o partido de Zema publicou uma foto de Dino com um fundo contendo emblemas do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). O ministro foi filiado à sigla durante 15 anos, de 2006 a 2021. Pela legenda, foi eleito deputado federal em 2006 e governador do Maranhão em 2014 e 2018. Disputa O Partido Novo havia pedido também a prisão preventiva de Andrei devido à citação ao nome dele em mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro do STF Alexandre de Moraes. A sigla também levou em conta os relatos de Vorcaro de que Andrei seria mencionado em sua colaboração premiada — mas sem dar detalhes sobre isso. A interlocutores, o diretor-geral da PF afirmou que não tem nenhuma relação com o dono do Banco Master e nem tinha o contato dele no celular. Ao avaliar o pedido do partido de oposição ao governo, Mendonça não citou os relatos nem as mensagens de Vorcaro, mas um relatório "apócrifo" da PF "sem valor probatório" que fazia avaliações sobre as suas decisões à frente da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema de fraudes do Banco Master. O documento acabou usado por Moraes em pedidos contra o colega de tribunal.
O Globo