247 – A entrada em vigor do tratado de livre comércio (TLC) modernizado entre a China e o Peru, ocorrida neste domingo, promete tornar o comércio bilateral significativamente mais eficiente por meio da simplificação dos procedimentos alfandegários e da melhoria na conectividade das cadeias de suprimentos.
A atualização do pacto facilita tanto a chegada rápida de produtos agrícolas peruanos — como mirtilos, abacates e uvas — aos consumidores chineses, quanto as exportações da China de automóveis, máquinas e eletrônicos para o país sul-americano. O protocolo aprimora sete capítulos já existentes, incluindo regras de origem e facilitação comercial, ao mesmo tempo em que adiciona cinco novas seções focadas em comércio eletrônico, cadeias de suprimentos globais, políticas de concorrência e meio ambiente, criando assim um ambiente de negócios mais favorável.
As informações referentes a essa nova etapa da cooperação econômica regional e infraestrutural foram publicadas no Global Times. Para os exportadores peruanos de produtos frescos, o acordo otimizado é uma ferramenta fundamental para mitigar atrasos e garantir previsibilidade alfandegária, atributos que se integram perfeitamente às vantagens logísticas do Porto de Chancay, inaugurado em novembro de 2024.
A nova rota marítima direta entre Chancay e Shanghai já reduziu o tempo de transporte de mais de um mês para cerca de 23 dias e cortou os custos logísticos em pelo menos 20%, impulsionando um aumento de 117,4% nas importações de frutas peruanas pelos portos de Shanghai apenas nos primeiros 11 meses de 2025.
Destacando que o maior valor dessa atualização reside na eficiência comercial, Gonzalo Matamala, diretor-geral da INNOF Ltd, pontuou as perdas logísticas que agora serão evitadas, explicando que “um contêiner de mirtilos, uvas ou abacates pode perder valor comercial significativo por causa de alguns dias de atrasos”.
Além de maximizar o comércio de mercadorias, a modernização do TLC estabelece uma base institucional robusta para estreitar a cooperação em investimentos e cadeias industriais, superando o modelo tradicionalmente focado apenas em recursos naturais e bens manufaturados. Especialistas chineses apontam que as novas regras de origem e os arranjos alfandegários facilitarão o comércio de bens intermediários, permitindo que os equipamentos e as tecnologias da China apoiem diretamente as indústrias de processamento do Peru, o que ajudará o país andino a desenvolver capacidades produtivas locais em vez de depender exclusivamente da exportação de matérias-primas brutas.
Para consolidar essa nova fase de desenvolvimento, as duas nações promovem infraestruturas de transporte multimodal e concordaram em iniciar negociações de lista negativa para serviços e investimentos dentro de dois anos após a entrada em vigor do protocolo. Essa modernização ocorre em um momento de expansão vigorosa dos laços econômicos da China com a América Latina, cujo comércio bilateral alcançou a marca de 3,93 trilhões de yuans em 2025, fazendo do acordo peruano um modelo estratégico para o restante da região.
A sinergia entre o Porto de Chancay e o novo TLC não só estimula empresas chinesas a montarem centros de processamento e distribuição no Peru, mas também facilita a expansão para Equador, Colômbia e Chile, um alcance que pode ser ainda mais ampliado pelas discussões sobre uma ferrovia até o Brasil capaz de encurtar as rotas marítimas para a Ásia em 10.000 quilômetros.
Em um cenário global marcado pelo aumento do protecionismo, essa atualização reafirma o compromisso prático da China com a Área de Livre Comércio da Ásia-Pacífico (FTAAP), oferecendo regras previsíveis que fortalecem o sistema multilateral e garantem a resiliência dos corredores logísticos internacionais.
Brasil 247