Atriz atacada com socos por bolsonarista apenas por usar vermelho no metrô de SP denuncia omissão policial

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A atriz e arte-educadora Mariana, agredida por um apoiador de Flávio Bolsonaro na estação Butantã do metrô de São Paulo, relatou pela primeira vez os momentos de violência que sofreu no domingo (18). Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (21), ela afirmou ter sido insultada, atingida com socos no rosto e na cabeça e atacada também pela mulher do agressor. Segundo seu depoimento, policiais militares presentes no local não impediram a violência nem detiveram o homem.

De acordo com reportagem do Metrópoles, a vítima se identificou apenas como Mariana e contou que estava aguardando um carro de aplicativo para voltar para casa quando foi abordada verbalmente por um casal. A agressão ocorreu após uma manifestação de Flávio Bolsonaro na capital paulista. Mariana vestia uma camiseta vermelha, circunstância que, segundo ela, motivou as hostilidades.

A atriz afirmou que decidiu criar um perfil nas redes sociais, depois de dez anos afastada dessas plataformas, para apresentar sua versão dos acontecimentos e estimular uma reflexão crítica sobre a violência sofrida.

Ao descrever o início da discussão, Mariana contou que percebeu comentários ofensivos feitos por um casal nas proximidades da estação.

“Quando faltavam poucos minutos para o carro chegar, vi um casal falando sobre a “lataria” de quem vota. Até que vi que estavam apontando para mim. Me dirigi até o homem e perguntei o que ele estava falando. Ele começou a falar que eu era uma vagabunda, suja, que ao contrário de mim ele sustentava 80 famílias e pagava impostos. Eu nunca tinha visto aquelas pessoas na vida”, contou.

Empresário identificado como agressor também é acusado de ameaçar outra mulher

O homem apontado como responsável pelos socos é Diogo Freire Estevão, proprietário de uma empresa de logística localizada em Vargem Grande Paulista, na Região Metropolitana de São Paulo. Sua identidade foi revelada pela coluna de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, após a circulação de imagens da agressão.

A reportagem também revelou que, na mesma semana do episódio no metrô, a Justiça havia concedido uma medida protetiva em favor de outra mulher que teria sido ameaçada de morte pelo empresário.

Segundo Mariana, a discussão se transformou em agressão física quando Diogo passou a se aproximar de maneira intimidatória. Ela relatou que tentou afastá-lo, mas acabou sendo atingida por vários golpes.

“Aquele homem começou a me peitar como se a gente estivesse num ringue. Quanto mais ele se aproximava, mais acuada eu me sentia. Meu instinto foi empurrar ele, e foi quando ele partiu pra cima de mim e começou a desferir socos em mim. Acertou a minha cabeça e meu rosto”, ela contou.

As imagens divulgadas nas redes sociais registraram parte da violência e permitiram a identificação do empresário, que deixou o local após a intervenção de policiais militares.

Mulher do agressor também teria participado do ataque

Mariana afirmou que, depois de receber os socos, foi amparada por jovens que testemunharam a cena. Uma delas foi responsável por gravar o vídeo que ganhou repercussão nacional.

A atriz relatou que, mesmo após a agressão inicial, continuou sendo atacada, desta vez pela mulher de Diogo, identificada como Leda. Segundo a vítima, ela tentou arrancar seus cabelos durante a confusão.

“De repente a mulher começou a puxar meus dreads para arrancar. Só que os dreads são o meu cabelo. Isso dói muito”.

A violência ocorreu em uma área movimentada da estação, diante de passageiros e agentes de segurança. Apesar disso, Mariana afirma que a maior parte das pessoas que presenciaram a situação não interveio para ajudá-la.

Mariana denuncia omissão de policiais militares

Um dos pontos mais graves do relato envolve a atuação dos policiais militares que estavam no local. Conforme as imagens divulgadas e as informações reunidas pelo Metrópoles, dois agentes presenciaram a situação, mas permitiram que o empresário fosse embora.

Segundo a reportagem, os policiais não chegaram a registrar a identificação do agressor. O nome de Diogo só se tornou conhecido posteriormente, graças às gravações feitas por testemunhas e ao trabalho de apuração jornalística.

A Polícia Militar informou que investigaria a conduta dos agentes envolvidos no atendimento da ocorrência.

Mariana descreveu o sentimento de abandono que experimentou enquanto permanecia na estação, mesmo depois das agressões.

“Aquele lugar (a estação de metrô) era um lugar lotado. A gente espera encontrar um resquício de humanidade. Mas, enquanto eu chorava, pessoas passavam por mim rindo da situação. Sofri uma sequência de ofensas e humilhações. Ali permaneci acolhida pelas meninas e por uma segurança do metrô que apareceu depois. Eu estava voltando para casa e apanhei porque estava vestindo vermelho”, contou.

A vítima destacou que não conhecia o casal e que não havia participado de qualquer discussão anterior com os envolvidos. Em seu entendimento, a violência foi desencadeada exclusivamente pela forma como estava vestida, em um ambiente marcado pela polarização política.

“A minha existência incomodou para quelas pessoas se sentissem no direito de me violar verbalmente e fisicamente”, contou.

O depoimento de Mariana amplia a repercussão do caso e coloca sob questionamento a atuação dos agentes públicos diante da agressão. Além da apuração sobre a conduta policial, o episódio envolve denúncias de violência física e ofensas contra uma mulher que, segundo seu relato, apenas aguardava transporte para retornar à residência.

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