Vinícius Botelho, da Fin: Pix teve impacto até na desigualdade de salários Divulgação As ascensão do Pix, lançado em 2020, pode ter contribuído para a redução de desigualdades regionais no desenvolvimento financeiro. Um estudo da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin) sugere que o uso do meio de pagamento instantâneo capitaneado pelo Banco Central (BC) cresceu nas regiões nas quais o crédito como proporção do PIB era menor, indicando que ele tem efeitos relevantes sobre diversas dimensões da economia. O levantamento aponta que a taxa de crescimento no número de transações de Pix (pessoa física) per capita, entre 2020 e 2025, foi maior em Estados em que a penetração do crédito era menor. Ou seja, o instrumento passou a ser usado por pessoas que antes estavam fora do sistema financeiro. “O resultado complementa diversos artigos acadêmicos que têm mostrado que o Pix tem efeitos relevantes até em questões como uma redução na desigualdade dos salários, um aumento nos depósitos bancários uma maior proteção das famílias atingidas por desastres naturais e um aumento do empreendedorismo”, afirma Vinícius Botelho, autor do estudo e gerente de Assuntos Econômicos da Fin. O estudo destaca que atualmente o Pix continua crescendo mais fortemente em Estados com menor penetração do crédito, o que sugere que seu efeito na redução da desigualdade ainda não terminou. De 2024 para 2025, a expansão foi liderada por Roraima, Maranhão, Acre, Pará e Amazonas. “Isso indica que a gente ainda deve observar uma redução na desigualdade nos próximos anos, até chegar um momento em que ela deve estacionar”, explica Botelho. Na bancarização geral (pessoas com conta bancária), a região Norte cresceu 20,8% entre 2020 e 2024 e chegou a 94,2%. Já o Nordeste avançou 13,3% e atingiu 96,2%; o Centro-Oeste cresceu 11,8%, para 96,9%; o Sul aumentou 7,7%, a 96,7%; e o Sudeste teve alta de 7,1%, chegando a 96,7% de bancarização. Enquanto isso, a atividade financeira registrou expansão de 12,2% no Norte entre 2022 e 2023; de 11,9% no Centro-Oeste; 7,2% no Sudeste, 5,4% no Sul; e 4,0% no Nordeste. “O Brasil passou por um amplo processo de inclusão financeira nos últimos anos, mas esse avanço não ocorreu no mesmo ritmo em todos os lugares. O estudo mostra que os serviços financeiros cresceram mais nas localidades onde o acesso era menor, contribuindo para diminuir as diferenças entre as regiões do país”, afirma Botelho. Pagamentos instantâneos continuam crescendo mais fortemente em Estados com menor penetração de crédito Segundo ele, esse movimento não é óbvio, já que existem diversos outros tipos de expansão dos serviços financeiros que não são acompanhados por uma redução na desigualdade. “Um choque de demanda em algumas regiões pode até elevar a desigualdade. Mas aqui vemos um crescimento orgânico, disseminado, com uma redução surpreendente da desigualdade”, aponta. Quando se considera o crescimento do saldo de crédito real per capita, entre 2024 e 2025, novamente Roraima lidera o ranking, com expansão de 11%, seguida por São Paulo (10%), Amapá (9%), Ceará (9%) e Alagoas (9%). Já em termos de estoque de crédito, quem lidera é o Mato Grosso, com R$ 60.976 por pessoa, ao lado do Distrito Federal, com R$ 53.424. No fim da tabela, estão Pernambuco (R$ 15.987) e Maranhão (R$ 14.514). “O crescimento do crédito às pessoas físicas foi disseminado por todo o país. Já o crédito às empresas apresentou diferenças maiores entre os estados, refletindo também as características das atividades econômicas de cada localidade”, diz Botelho. O estudo analisou ainda o avanço financeiro sob a ótica do desenvolvimento dos mercados de capitais, usando dados da Anbima sobre a emissão de debêntures e notas comerciais. Considerando o volume das emissões como proporção do valor adicionado na economia, no Nordeste elas passaram de 0,8% para 1,7% de 2020 para 2023. Já no Centro-Oeste foram de 0,6% para 1,4%. “Assim como observado no crédito e no Pix, houve crescimento substancial no acesso ao mercado de capitais em todas as regiões brasileiras nos anos da amostra [...] reforçando a conclusão de que, ao longo do tempo, as regiões com maior crescimento também eram aquelas que tinham menor acesso”.
Ascensão do Pix contribuiu para redução de desigualdades regionais
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