Artefatos do naufrágio mais antigo do mundo foram encontrados na costa da Turquia por arqueólogos

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Artefatos de um navio com cerca de 10 metros de comprimento foram encontrados próximo à Ilha de Kekova, na costa da Turquia, no que arqueólogos acreditam tratar-se do naufrágio mais antigo do mundo. Embora a madeira do casco não tenha resistido ao tempo, diferentes peças foram encontradas espalhadas por uma encosta submersa a cerca de 30 metros de profundidade. Segundo os especialistas, é possível que as ânforas achadas no local ainda armazenem produtos comercializados há mais de 4 mil anos pelo Mediterrâneo. A descoberta coloca a ilha no primeiro lugar na lista de naufrágios mais antigos do mundo. Leia mais: Justiça condena comediante turco por insulto ao presidente, mas ordena liberdade provisória Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países — O naufrágio é uma cápsula do tempo no fundo do mar — afirma à BBC, Hakan Öniz, professor da Universidade Akdeniz, na Turquia, e líder da expedição promovida pela Associação de Arqueologia do Mediterrâneo. Diante da ausência de vestígios do navio, os pesquisadores não puderam utilizar técnicas que permitiriam determinar a idade da embarcação, como a datação por radiocarbono, que mede a deterioração de uma forma de carbono presente em materiais orgânicos. Por isso, precisaram analisar com cuidado o formato das ânforas encontradas e entender a que período da História elas pertencem. Os estilos de cerâmica mudam ao longo do tempo, por isso, diferentes modelos são associados a momentos específicos. As cerâmicas encontradas em Kekova são características por terem duas alças, uma saliência na parte central e base plana. E, segundo Öniz, esse desenho corresponde ao de outras ânforas descobertas no Egito e no Oriente Médio, cuja idade já era conhecida e varia entre 4.400 e 4.700 anos. — Comparando as técnicas de decoração, podemos afirmar com certeza que o nosso naufrágio é da Idade do Bronze Inicial. Isso é 100% certo — diz à BBC. Com a descoberta em Kekova, o lugar passa a ocupar o primeiro lugar na lista dos naufrágios mais antigos do mundo. Anteriormente, o recorde pertencia a um naufrágio encontrado próximo à ilha de Dokos, no sul da Grécia, datado de cerca de 4.200 anos. Enquanto o mais antigo naufrágio com o casco de madeira intacto foi encontrado no Mar Negro, na costa da Bulgária, e tem aproximadamente 2.400 anos de idade. Arqueólogos subaquáticos encontram e examinam artefatos antigos de um naufrágio datado de aproximadamente 4.700 anos atrás, perto da Ilha de Kekova, em Antalya, no sul da Turquia. Reprodução / Ministério da Cultura e Turismo da Turquia Processo de conservação e surpresa Após a retirada das peças do mar, as ânforas passaram por um delicado processo de cuidados. Mas o estado de preservação surpreendeu os especialistas, que agora vão precisar descobrir o que é o resíduo dentro das ânforas. Entre as hipóteses estão azeite de oliva, vinho e resinas vegetais. — Olhei para dentro e quase desmaiei. Não conseguia acreditar na quantidade de resíduo visível. Não eram apenas pequenas manchas. Grande parte desse material ainda estava lá — contou à rede britânica a arqueóloga Karin Sowada, da Universidade Macquarie, na Austrália. Apesar da empolgação com a descoberta, Sowada ressalta que os resíduos podem não ser da carga original da viagem. — Também é possível que esse resíduo seja resultado da reutilização dos recipientes. Afinal, essas ânforas são enormes. Não eram objetos usados uma única vez e descartados. As pessoas provavelmente as esvaziavam ao chegar ao destino e continuavam usando-as por muitos e muitos anos — explica.

Exposição em museu De acordo com o ministro Mehmet Nuri Ersoy, o navio naufragado pertence ao Ministério da Cultura da Turquia e, por isso, os artefatos encontrados serão exibidos no Museu Mediterrâneo de Arqueologia Subaquática, em Antália, que será inaugurado nos próximos meses.

Para Öniz, a melhor parte da descoberta é como os artefatos encontrados no fundo do mar preservaram a História da Humanidade. — Somos os primeiros seres humanos a tocar nesses objetos depois de 5 mil anos. Estamos sempre pensando nos marinheiros, nos fabricantes das ânforas, na pessoa que carregou uma ânfora nos ombros até o navio e nas mulheres que esperavam seus maridos, mas que infelizmente nunca voltaram — diz. Prisão: Turquia prende cerca de 150 pessoas que protestavam contra repressão LGBTQIA+ Além de revelar detalhes da embarcação, a descoberta ajuda a reconstruir as rotas comerciais da Antiguidade. Os arqueólogos envolvidos na pesquisa acreditam que o navio partiu de um ponto da costa oriental do Mediterrâneo e seguia em direção à antiga cidade de Troia, no atual território turco, ou à ilha de Creta, onde vivia a civilização minoica. A região de Kekova era especialmente perigosa para a navegação devido aos ventos fortes e às correntes marítimas intensas, e centenas de naufrágios já foram registrados no local.

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