A Meta Platforms elevou sua previsão de investimentos e anunciou planos para criar uma nova classe de ações sem direito a voto, ampliando sua já extraordinária aposta em inteligência artificial. Os investimentos de capital ficarão entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões em 2026, informou a gigante das redes sociais em seu balanço trimestral divulgado nesta quarta-feira. O limite inferior da faixa foi elevado em relação aos US$ 130 bilhões previstos anteriormente. Violação de privacidade: Meta é condenada a pagar US$ 25 bi por enganar usuários sobre privacidade no caso Cambridge Analytica Sonar: Comitê da Meta diz que faltou transparência da empresa sobre atuação eleitoral no Brasil A nova classe de ações, por sua vez, será distribuída aos atuais investidores por meio de um dividendo em ações. Os acionistas receberão uma ação da nova classe, em uma operação que, na prática, equivalerá a um desdobramento de ações na proporção de dois para um, informou a Meta. A empresa espera que as negociações dos novos papéis comecem em janeiro. O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou que os investimentos da empresa em inteligência artificial estavam “dando resultado” durante a divulgação dos resultados trimestrais. A receita do terceiro trimestre cresceu 26%, para US$ 64,6 bilhões, superando a estimativa de US$ 63,3 bilhões. O lucro por ação foi de US$ 3,83 no período, acima da projeção de US$ 3,57, totalizando US$ 9,86 bilhões, mais de três vezes e meia o registrado de julho a setembro de 2025.
As novas ações também servirão como instrumento para financiar a expansão da Meta. Segundo a empresa, elas poderão ser utilizadas para captar recursos, remunerar funcionários e viabilizar possíveis aquisições. Endereço fixo: Meta oferece novas ações a Mark Zuckerberg para protegê-lo de imposto sobre grandes fortunas Escalada de despesas As medidas demonstram a confiança da Meta de que seus gastos com inteligência artificial darão frutos. Zuckerberg tem enfrentado dificuldades para convencer os investidores a aceitar a escalada de despesas associada às ambiciosas apostas da empresa em IA. Nos últimos meses, porém, a Meta companhia no desenvolvimento de sua tecnologia. “Nossos investimentos estão dando resultado, o negócio principal está forte e estamos vendo avanços em todas as frentes”, afirmou Zuckerberg no balanço divulgado nesta quarta-feira. O executivo destacou o sucesso do novo agente de IA da Meta, o Muse, que foi utilizado por mais de 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá durante as primeiras seis semanas de funcionamento do serviço. — Agora que o Muse demonstrou ter uma clara adequação ao mercado, estamos entrando em uma nova fase, mais operacional, concentrada em ampliar sua escala — afirmou Zuckerberg durante uma teleconferência com analistas. Recuo: Lucro da Tesla tomba 44% no 3º trimestre, enquanto Musk investe em IA e robôs As ações da Meta subiram mais de 3% nas negociações após o fechamento do mercado nesta quarta-feira. Até o encerramento do pregão em Nova York, acumulavam alta de cerca de 6% neste ano. No balanço, a Meta informou que espera uma receita de US$ 73 bilhões a US$ 76 bilhões no quarto trimestre. Os analistas projetavam, em média, US$ 73,6 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg. Ao longo do último ano e meio, Zuckerberg redirecionou os esforços da empresa para avançar na corrida da inteligência artificial. A estratégia inclui comprometer centenas de bilhões de dólares com a construção da infraestrutura necessária para sustentar seus modelos e reformular a divisão de IA sob a liderança de Alexandr Wang. Expectativas com Muse Wonder No início deste mês, a Meta lançou o Muse Wonder, um novo modelo de inteligência artificial aguardado havia muito tempo e dotado de “capacidades de fronteira”, segundo a liderança da empresa. De acordo com a companhia, o modelo está no mesmo nível do ChatGPT, da OpenAI, e do Claude, da Anthropic PBC, em tarefas de programação e na análise de questões financeiras ou jurídicas. Se as afirmações da Meta forem confirmadas por testes independentes e o Muse Wonder conquistar pesquisadores e desenvolvedores, o lançamento representará uma reviravolta significativa para a empresa, cujos modelos tiveram desempenho decepcionante no Vale do Silício no ano passado. O assistente personalizado de inteligência artificial Muse foi lançado em setembro. Ele foi desenvolvido para automatizar diversas tarefas dos consumidores, incluindo compras, aquisição de ingressos de cinema e agendamento de compromissos. O Muse rapidamente chegou ao topo dos rankings de aplicativos para dispositivos móveis. Após críticas: Meta retira de seus termos trecho que permitia usar conteúdo da web gratuitamente para treinar sua IA Esse sucesso, porém, tem um custo. A Meta observou que o agente de IA exige grande capacidade computacional. Essa é uma das razões pelas quais a empresa ainda não lançou o serviço globalmente. Zuckerberg afirmou que o Muse deverá continuar gratuito para a maioria das pessoas. A Meta pretende ganhar dinheiro com taxas sobre transações pagas por empresas, assinaturas de usuários intensivos e de clientes que desejem acesso aos modelos mais avançados, além de ferramentas pagas para companhias que utilizem o Muse no trabalho. — Se a eficiência computacional continuar melhorando rapidamente pelos próximos anos, como consideramos altamente provável, o Muse será altamente lucrativo ao longo de vários anos — acrescentou. A Meta, controladora do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, obtém atualmente a maior parte de sua receita com publicidade. Cortes de custos e empregos Zuckerberg também afirmou que CJ Desai comandará a nova plataforma empresarial da Meta, negócio que a companhia está desenvolvendo para vender acesso a seus modelos e serviços de inteligência artificial. A Bloomberg News foi a primeira a noticiar o desenvolvimento dessa operação de computação em nuvem. A Meta ainda tem muitos investimentos a fazer até o fim do ano. Embora o ponto médio da previsão de gastos de capital seja de US$ 140 bilhões, a empresa havia desembolsado apenas cerca de US$ 86 bilhões nos primeiros nove meses do ano. A companhia também sinalizou que levará mais tempo para obter retorno de alguns de seus investimentos mais recentes em IA, embora o negócio principal ajude a absorver os custos. — Embora esses investimentos levem mais tempo para gerar retornos do que os realizados em nosso negócio principal — afirmou a diretora financeira, Susan Li. — A amplitude das oportunidades de monetização e os ganhos de eficiência interna nos dão confiança em seu potencial de longo prazo. A Meta está cortando custos em outras áreas enquanto direciona grandes somas para a inteligência artificial. O número de funcionários caiu 15% em relação ao ano anterior, após cortes significativos de empregos, e a empresa prometeu reduzir os prejuízos da Reality Labs, sua divisão de hardware.
A companhia prevê perdas de até US$ 19 bilhões na Reality Labs neste ano. Em 2027, o valor deverá cair para cerca de US$ 15 bilhões, à medida que a companhia redireciona os gastos para outras prioridades — “principalmente inteligência artificial”. Ao anunciar a nova classe de ações, a Meta também afirmou que os papéis sem direito a voto ajudarão a garantir que Zuckerberg continue à frente da empresa “na próxima era”.
O Globo