Após ofensiva contra os houthis, Turquia e Paquistão anunciam 'mobilização rápida' de tropas para a Arábia Saudita

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Os governos de Paquistão e Turquia anunciaram o “rápido envio” de tropas e recursos militares para a Arábia Saudita, no âmbito do acordo de defesa coletiva firmado entre os dois países em agosto, o Pacto de Meca, e no momento em que Riad deu início a uma grande ofensiva contra a milícia houthi no Iêmen, em resposta a avanços terrestres locais e ações contra seu território. Ação e reação: Houthis dizem ter atacado instalações de petrolífera saudita enquanto governo do Iêmen anuncia nova operação contra grupo Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países Segundo comunicado emitido após reunião do comitê de defesa da aliança, os países decidiram “avançar imediatamente para a implementação prática dos compromissos de defesa coletiva”, além de “adotar as medidas necessárias para fornecer as forças e capacidades militares pactuadas e assegurar o seu rápido desdobramento no Reino”. Não foram detalhadas quais seriam as capacidades militares ou o tamanho das tropas que seguirão para a Arábia Saudita, tampouco se elas participarão da nova ofensiva saudita contra os houthis, lançada em resposta aos avanços da milícia dentro do Iêmen e aos ataques contra o território da monarquia árabe.

Infográfico mostra o reposicionamento estratégico dos Houthis, que ampliam o controle territorial, o domínio sobre o Estreito de Bab el-Mandeb e estabelecem rotas com a África Editoria de Arte / O Globo Além de ter causado estragos contra oleodutos e instalações de petróleo e gás, os houthis são acusados de terem acertado alvos nos arredores de Meca e Medina. Na reunião desta segunda, os três países condenaram “nos termos mais veementes, a tentativa de atingir” duas das mais sagradas cidades para o islã. O grupo nega as acusações. O anúncio marca a primeira ativação do pacto firmado entre três das maiores forças militares da região, e que inclui uma nação — a Turquia — integrante da Otan, a principal aliança militar do Ocidente, liderada pelos EUA. A iniciativa, assinada em agosto, tenta espelhar o compromisso de defesa mútua previsto no Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, além de buscar opções para um papel cada vez mais questionado dos Estados Unidos como garantidor da segurança no Oriente Médio e áreas adjacentes.

“A crescente desconfiança em relação ao ‘guarda-chuva’ de segurança dos EUA fez com que o discurso sobre a ‘diversificação de parcerias de segurança’ se tornasse comum em comentários recentes na Arábia Saudita. Parcerias com outros países além dos EUA já existiam antes da guerra, mas o conflito recente as tornou mais visíveis”, afirmou um artigo publicado em agosto pelo Centro Árabe-Americano de Washington. Enquanto os representantes dos três países debatiam a ativação do mecanismo de defesa coletiva, os sauditas anunciaram uma das maiores ofensivas militares dos últimos anos contra os houthis, em parceria com o governo reconhecido internacionalmente. Eles se juntam a uma operação de grande porte das forças pró-Riad, lançada no final de semana.

De acordo com Riad, mais de 100 aeronaves de combate participaram das operações nesta segunda-feira, destruindo “324 alvos de grande valor” e prestando “apoio aéreo 24 horas por dia às Forças Armadas iemenitas”. Segundo relatos locais, destacamentos houthis estariam perdidos nos arredores de Taiz, onde os combates foram intensos.

“Um esquadrão militar de houthis que encontrei na área de Ras al-Naqil perto de al-Aloom, perdeu contato com seus colegas.. Ele me perguntou: ‘Qual é o nome desta área e para onde leva esta estrada?’, disse um morador da cidade de al-Mu’afir, em relato compartilhado pelo jornalista iemenita Fares Alhemyari na rede social X. Ataques incessantes: Governo saudita ordena que escolas da capital adotem aulas de casa por uma semana após bombardeios de Houthis Um porta-voz iemenita afirmou que suas forças retomaram o controle do Estreito de Bab el-Mandeb, algo que não pode ser confirmado de maneira independente. A imprensa oficial dos houthis nega as alegações, as chamando de “fictícias” e de “tentativa de encobrir fracassos e derrotas repetidos”. Há relatos de ações do governo no leste do país, e os comandantes militares dizem que têm como objetivos “restaurar as instituições do Estado e libertar” a capital Sana, sob controle houthi desde 2014. Aliados de Teerã, os houthis assumiram um papel secundário nas guerras envolvendo Irã, EUA e Israel travadas desde 2024, lançando ataques contra cidades israelenses e, eventualmente, contra os sauditas,com quem travaram uma devastadora guerra no século passado. Em julho, após um bombardeio contra o aeroporto de Sana, em resposta a um suposto avião iraniano não identificado, os drones e foguetes voltaram a ser lançados em grande número contra a Arábia Saudita, que havia sido alvejada também pelos iranianos. Houthis divulgam vídeo de suposto caça F-15 saudita abatido no Iêmen No início de setembro, a milícia lançou uma ofensiva terrestre no Iêmen, assumindo posições estratégicas nos arredores da cidade portuária de Áden, onde o governo internacionalmente reconhecido está baseado, e do Estreito de Bab el-Mandeb, por onde transitam 12% do comércio marítimo global. Esse avanço também passou a ser usado pelo Irã como parte de seu leque de ameaças aos EUA nas negociações para um acordo. Os houthis garantem que seguem no controle da passagem, e intensificaram os ataques contra posições governamentais e o território saudita. Após o anúncio do envio das tropas e equipamentos de Turquia e Paquistão para a Arábia Saudita, especialistas se questionam se a medida surtirá efeito no conflito.

“Os houthis intensificarão as ações contra o Reino [da Arábia Saudita] na sequência da guerra terrestre, e o envio de forças para defender o território saudita não é o mesmo que combater dentro do Iêmen”, escreveu, na rede social X, Fatima Alasrar, uma analista iemenita. “No entanto, o Pacto de Meca representa uma nova realidade que os houthis e Teerã não previram. O cenário mudou drasticamente para eles nas últimas 24 horas, e resta saber se conseguirão manter a pressão sobre Taiz e a costa enquanto atacam a Arábia Saudita e defendem as áreas que controlam.”

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