Sibéria impõe quarentena após morte de funcionária de instituto de pesquisa da peste negra

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Fonte da notícia: Valor Valor

Uma funcionária de laboratório em um instituto de pesquisa sobre a peste negra na Sibéria adoeceu e faleceu em circunstâncias não reveladas, levando as autoridades a colocarem dezenas de pessoas em quarentena e fazendo com que a chefe do órgão regulador de saúde da Rússia se deslocasse à região de Irkutsk.

A morte gerou temores relacionados à saúde pública nas redes sociais, mas as autoridades afirmaram nesta segunda-feira (5) que a situação estava sob controle.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que, com base nas informações disponíveis, “o risco à saúde pública para a população em geral parece ser baixo”. Novas avaliações de risco serão realizadas assim que mais informações forem divulgadas, informou a organização.

EUA oferece ajuda O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a morte era um “grande problema para a Rússia” e se ofereceu para ajudar Moscou a lidar com a situação. “Vamos ajudar”, disse Trump. “Para quem tiver esse tipo de problema, estamos sempre dispostos a ajudar.”

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que Washington estava acompanhando de perto a situação.

A peste é endêmica na Sibéria, local do primeiro surto humano pré-histórico conhecido, já que a bactéria que a causa, a Yersinia pestis, está presente entre os pequenos mamíferos selvagens em suas vastas áreas e, também, em suas pulgas. É raro que russos adoeçam, no entanto, embora casos em outras partes do mundo — notadamente na África — ocorram todos os anos.

A peste se apresenta em três formas que afetam diferentes partes do corpo. A peste pneumônica, uma infecção dos pulmões, faz com que o paciente espalhe gotículas infecciosas pelo ar ao tossir. Se diagnosticada rapidamente, pode ser tratada com antibióticos. Mas, se não for tratada, pode ser fatal em período de um a seis dias.

A mídia local identificou a mulher como Darya Shipilova, funcionária do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk da Sibéria e do Extremo Oriente. Houve relatos contraditórios sobre como e onde a funcionária do laboratório, de 28 anos, havia adoecido. Mas as autoridades afirmaram que ela havia morrido de pneumonia, de origem ainda não determinada.

Reunião de emergência com órgão da saúde O órgão regulador de saúde da Rússia, Rospotrebnadzor, informou à mídia estatal que o instituto não havia encontrado evidências de nenhum acidente envolvendo o manuseio de patógenos, após rumores terem se espalhado nas redes sociais de que a mulher teria deixado cair um tubo de ensaio contendo bactérias vivas. Anna Popova, chefe do Rospotrebnadzor, voou para a Sibéria para uma reunião de emergência no fim de semana.

De acordo com reportagens da mídia russa, cerca de 200 pessoas que tiveram contato com a mulher foram colocadas em quarentena, e partes do hospital, na cidade de Shelekhov, onde ela faleceu, foram isoladas. Uma fábrica de alumínio orientou os funcionários a usar máscaras.

O Rospotrebnadzor, em comunicado posterior citado pela agência de notícias Tass, informou que autoridades da região de Irkutsk haviam identificado dois casos de covid-19 e dois casos de rinovírus entre as pessoas que estiveram em contato com a mulher que morreu. Nenhum outro caso de doenças infecciosas foi registrado.

As autoridades pediram que as pessoas mantivessem a calma e afirmaram que não havia evidências de que a morte da mulher estivesse relacionada ao seu trabalho.

Igor Kobzev, governador da região de Irkutsk, afirmou em comunicado que ela havia morrido em decorrência de “pneumonia de etiologia desconhecida”. “É importante ressaltar que, nos últimos dias, não foram identificados novos casos de funcionários do Instituto Antipeste que procurassem atendimento médico”, acrescentou.

Ele afirmou também que a situação estava sob controle e que todos os contatos conhecidos da mulher haviam sido identificados, examinados e colocados sob supervisão médica.

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