A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, juntará representantes da Rússia e da Ucrânia na Casa Branca nesta quinta-feira, 5, segundo um comunicado divulgado por seu gabinete. Está na pauta a discussão sobre o cessar-fogo temporário em Oleshky, cidade ocupada pela Rússia na região de Kherson, no sul ucraniano, que ela ajudou a pôr de pé na semana passada.
Após o fim da trégua, a região foi bombardeada na segunda-feira 2, deixando 26 mortos. A Casa Branca afirmou que a primeira-dama começou um diálogo entre os dois países e conseguiu o acordo que levou a necessária ajuda humanitária à população civil e ajudou moradores a deixar a cidade na linha de frente.
Segundo Melania, quase 800 pessoas foram resgatadas. O acordo se manteve apenas em Oleshky e áreas próximas, mas foi a trégua mais longa dos quase cinco anos de guerra na Ucrânia.
Nenhum dos lados denunciou violações, no que um parlamentar ucraniano descreveu como “a maior desescalada desde 2022”. Continua após a publicidade
Porém, autoridades militares ucranianas acusaram as forças russas de aproveitar a pausa nos combates para reforçar suas posições na região e repor munições. Segundo um alto funcionário da Presidência ucraniana, além disso, o Ministério das Relações Exteriores do país apresentou “uma proposta para estender” o cessar-fogo.
Mas “os russos não quiseram”, disse essa fonte à agência AFP. Retomada da diplomacia
Além do encontro na Casa Branca, mediadores americanos se reunirão com representantes russos e ucranianos na próxima semana, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para uma nova rodada de negociações sobre o fim da guerra. Será o primeiro encontro presencial entre as partes desde fevereiro, e deve contar com a presença do enviado especial de Donald Trump, Steve Wittkoff.
Um assessor do Kremlin também afirmou recentemente que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, estaria disposto a atender uma eventual ligação do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Em declaração à agência de notícias Interfax no final de semana, Yuri Ushakov afirmou que o líder russo nunca se recusou a manter conversas com o governo ucraniano.
Continua após a publicidade “Creio que ele atenderia, claro.
Putin nunca se recusou a dialogar”, disse Ushakov, de acordo com a Interfax. Combates continuam
O conflito, desencadeado em 2022 pela invasão russa, devastou áreas do leste e do sul da Ucrânia, deixou centenas de milhares de mortos e forçou milhões de pessoas a abandonar suas casas. A Rússia controla atualmente cerca de um quinto do território ucraniano.
Os esforços diplomáticos liderados por Washington para pôr fim à invasão ficaram amplamente paralisados ao longo deste ano, quando as atenções se voltaram à guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Também nesta terça, veículos de comunicação ucranianos relataram um ataque contra a refinaria de petróleo de Kstovo, descrita como “uma das maiores refinarias da Rússia, produtora de combustíveis e lubrificantes”.
A Ucrânia tem atacado repetidamente instalações petrolíferas e de gás russas, argumentando que se trata de uma resposta legítima aos bombardeios contra sua infraestrutura energética. Continua após a publicidade
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressiona Kiev a interromper esses ataques, por considerar que eles contribuem para a alta dos preços do diesel. Analistas, por sua vez, atribuem esse aumento à guerra no Oriente Médio.
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