O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta segunda-feira que pedirá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno da eleição presidencial. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio acusou o petista de abuso de poder político e econômico, voltou a questionar a prorrogação da votação de domingo e criticou a determinação de entregar seus passaportes à Polícia Federal.
Na mesma gravação, ele afirmou que foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes. Antes do pronunciamento, Flávio discutiu os próximos passos políticos com aliados, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) em reunião no início desta tarde em Brasília.
Segundo relatos de interlocutores do senador, ficou acertado na reunião que Flávio permaneceria no Brasil e assumiria pessoalmente a tarefa de organizar a oposição ao quarto mandato de Lula. A avaliação do grupo é que a votação expressiva recebida pelo senador lhe dá condições de manter a direita unida, especialmente no Congresso.
Na sexta-feira, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro defendeu que o irmão deixasse o país caso perdesse a eleição, o que acabou acontecendo. A possibilidade foi rejeitada pelo núcleo próximo do senador, que considera não fazer sentido abandonar o Brasil depois da votação obtida nas urnas.
A orientação é que ele preserve o capital político acumulado durante a campanha e mantenha a articulação com governadores, parlamentares e dirigentes partidários que apoiaram sua candidatura. No vídeo, Flávio agradeceu aos eleitores e afirmou que pretende recorrer à Justiça Eleitoral por considerar que a disputa foi desequilibrada por medidas adotadas pelo governo federal.
O senador acusou Lula de utilizar recursos públicos para favorecer a própria reeleição, sem apresentar provas das irregularidades alegadas. — Então eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu.
A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu.
O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil — disse. O senador também voltou a questionar a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação até as 19h.
Flávio afirmou que a medida alterou as regras durante o pleito e disse que seu impacto precisa ser esclarecido. — O que aconteceu nesse domingo da eleição não foi normal, todo mundo viu.
Foi a primeira vez na história do Brasil que um ministro do STF, no caso, ex-advogado do Lula, provocado pelo próprio PT, atropelou o TSE e tomou uma decisão que prorrogou as eleições até as 7 horas da noite — declarou. A campanha de Flávio também havia solicitado a ampliação do horário de votação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em razão de dificuldades de deslocamento provocadas pelo mau tempo.
O pedido apresentado pela equipe do senador, porém, tinha abrangência diferente da decisão tomada por Zanin. Restrição para deixar o país
Flávio também criticou a determinação do STF de que entregasse seus passaportes e não deixasse o Brasil. O senador afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira, quando saía de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
Segundo Flávio, a decisão foi fundamentada em uma declaração de seu irmão Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, defendendo que ele deixasse o país caso perdesse a eleição. O senador negou ter considerado essa possibilidade, em linha com o entendimento discutido com seus aliados.
— Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar.
Mas ninguém vai me calar — declarou. Flávio questionou o momento da decisão, que, segundo ele, foi tomada na noite de domingo, depois da divulgação do resultado eleitoral.
O senador classificou a medida como uma tentativa de intimidação política. — Pensa comigo: se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito me intimando no meio da rua? — questionou.
A decisão de permanecer no Brasil e assumir a articulação da direita também foi incorporada ao pronunciamento. Flávio afirmou que pretende reunir deputados, senadores e outros políticos eleitos para definir uma estratégia de enfrentamento ao novo governo Lula.
— Para resistir ao caos, eu vou organizar a oposição. A gente fez a maioria no Senado e na Câmara.
Foi uma vitória que vocês deram para o Brasil — disse.
O Globo