O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) retomou as tratativas para instalar um painel da artista goiana Maria Guilhermina em uma de suas dependências. A movimentação ocorreu após uma reportagem do jornalista Herbert Moraes, da Bolha, revelar que a obra está abandonada em um lote localizado no cruzamento das ruas 19 e 26, no Centro de Goiânia.
Segundo o assessor cultural do TJ-GO, Nasr Fayad Chaul, uma nova conversa com a artista abriu caminho para a possível retirada e transferência da obra, por intermédio da Comissão Permanente de Memória e Cultura do tribunal. Chaul, que também é historiador, explicou que uma tentativa anterior de transferência não avançou, apesar da autorização de Maria Guilhermina, devido a questões arquitetônicas apontadas pela equipe técnica.
“O tribunal tinha recebido da Maria Guilhermina, um tempo atrás, a autorização para fazer a doação. Aí correu o processo internamente.
A área técnica entendeu que havia uma incompatibilidade entre o tipo de painel e a unidade do tribunal, com a arquitetura, aquela coisa toda”, explicou. Com a renovação da autorização, um novo processo administrativo foi aberto.
Desta vez, a solicitação prevê que a equipe técnica avalie diferentes espaços capazes de receber o painel, sem restringir sua instalação à sede do tribunal. “Retomei o assunto com a Guilhermina, pois nós temos uma relação antiga muito boa, e ela autorizou novamente a gente fazer a tratativa.
Nós abrimos o processo novamente, sugerindo à área técnica que indique um local, se não for a própria sede do tribunal, em outra instância que possa receber o painel”, destacou. Apesar da retomada das negociações, ainda não há uma data definida para a transferência.
Ao comentar as condições atuais do painel, Chaul afirmou que a estrutura permanece inteira, mas apresenta sinais de abandono. Para o historiador, a situação exige atenção diante da importância da trajetória de Maria Guilhermina para a cultura goiana.
“Ela está abandonada. Está inteira ainda, mas abandonada.
E é uma pena, porque é uma obra da Guilhermina”, lamentou. Chaul também destacou que a reportagem da Bolha, que denunciou o abandono do painel, poderá reforçar os argumentos em favor da preservação da obra.
Prefeitura também avalia transferência para espaço público A situação do painel também chegou ao conhecimento da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), que prevê uma visita técnica ao local nesta quarta-feira, 4, para verificar as condições de conservação da obra e avaliar a possibilidade de transferi-la para um espaço público.
Segundo Adriana Godinho, diretora de Políticas, Ações e Patrimônio Cultural da Secult, o levantamento foi solicitado pelo prefeito Sandro Mabel (União Brasil) e pelo secretário municipal de Cultura, Ugton Batista, após a repercussão da reportagem. “A pedido do prefeito Sandro Mabel e do secretário Ugton Batista, eles pediram para mim fazer um levantamento a partir dessa matéria que vocês divulgaram.
Porque esse painel está em um lote privado, na verdade”, explicou. Adriana afirmou que a primeira etapa será identificar o interesse do proprietário do terreno em manter ou não a obra no local.
Como o imóvel é particular, qualquer intervenção dependerá de uma avaliação prévia e de diálogo com o responsável pela propriedade. “Amanhã eu vou lá pessoalmente fazer uma visita, conversar com o proprietário, ver também o interesse dele.
Porque ele preservou a arte no espaço, mas acredito que, como proprietário, fica com o peso de decidir o que fazer com isso”, explicou. Caso a transferência seja considerada viável, dois espaços públicos estão entre as possibilidades levantadas pela Prefeitura: o Museu de Arte de Goiânia (MAG) e a Praça Universitária, que já abriga esculturas e outras manifestações artísticas ao ar livre.
A intenção, segundo Adriana, é encontrar uma alternativa que assegure a preservação do painel e permita que a população tenha maior acesso à obra. “Vamos ver se, através da Prefeitura ou da Secretaria de Cultura, podemos contribuir com a remoção e a relocação da obra em algum espaço público.
Talvez no MAG ou na própria Praça Universitária, que é o maior museu de obras de arte a céu aberto que temos”, afirmou. A diretora também informou que tenta estabelecer contato com Maria Guilhermina para esclarecer questões relacionadas à obra e à sua eventual transferência.
Outro ponto que deverá ser investigado é a relação entre o painel e o imóvel onde está instalado. Segundo Adriana, existe a possibilidade de o atual proprietário ter adquirido o terreno quando a obra já estava no local, circunstância que ainda precisa ser confirmada.
Essas informações serão consideradas antes de qualquer encaminhamento por parte do município. Retirada do painel dependerá de avaliação especializada
Além das questões administrativas e da autorização do proprietário, uma eventual transferência exigirá estudos técnicos para identificar a maneira mais segura de remover a obra sem comprometer sua integridade. Entre as alternativas consideradas estão a retirada individual dos ladrilhos que compõem o painel ou a remoção de toda a estrutura sobre a qual a obra está instalada.
Adriana ressaltou que a escolha do procedimento dependerá de uma avaliação especializada, que deverá considerar as características do material e os riscos envolvidos na operação. “Vamos tentar ver como está a situação, fazer um levantamento, esse diagnóstico, ver se tem como retirar.
Talvez até contratar uma especialista para saber se é possível tirar só os ladrilhos ou se será necessário retirar a parede toda. Vamos ter que fazer todo esse cuidado, toda essa curadoria, chamar um especialista, se for o caso, e se eles permitirem, para avaliar como será o andamento”, afirmou.
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