A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) já está em tratativas com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) para viabilizar a transferência do deputado estadual Rodrigo Bacellar para unidade prisional no Rio de Janeiro. A mudança foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira.
Até o momento, Bacellar está na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Samba: Quintal da Clementina faz a roda voltar a girar com força na Lapa
Leia também: Vacinação contra meningite para pessoas de até 59 anos termina neste sábado no Rio; veja onde se imunizar Bacellar é ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e continuará preso preventivamente.
Segundo apurou O GLOBO, Bacellar continuará preso preventivamente. A decisão do ministro altera apenas o local de cumprimento da prisão, e a unidade prisional para a qual ele será transferido ainda não foi definida.
Na mesma decisão, Moraes concedeu a soltura do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, investigado por suspeita de vazamento de informações sigilosas de uma operação da Polícia Federal contra o ex-deputado estadual TH Joias, acusado de envolvimento com o Comando Vermelho.
TH Joias, por sua vez, também permanecerá preso. No caso de Macário, Moraes substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a apreensão do passaporte.
O desembargador estava preso desde 16 de dezembro de 2025. Macário é investigado por suspeita de ter repassado informações sigilosas sobre uma operação da Polícia Federal contra TH Joias, apontado pelos investigadores como ligado à facção criminosa Comando Vermelho.
De acordo com a investigação, o desembargador teria antecipado detalhes da ação policial a Bacellar, que, por sua vez, teria alertado o então deputado estadual sobre a operação. A defesa do desembargador nega as acusações e sustenta que não há provas de que ele tenha participado do suposto vazamento.
Os advogados contestam, entre outros pontos, a suspeita de um encontro entre Macário e Bacellar em uma churrascaria no Aterro do Flamengo, em setembro de 2025. Segundo a defesa, um levantamento de antenas de telefonia celular solicitado pela própria Polícia Federal indicaria que os dois não estiveram juntos naquela data.
Os advogados afirmam ainda que o desembargador participou de um jantar com amigos em um restaurante no Leblon naquela noite. Em manifestação divulgada nesta sexta-feira, o advogado Patrick Berriel afirmou que a decisão de Moraes reconheceu a possibilidade de substituir a prisão por medidas menos restritivas.
"Desde o início, a defesa entendia que a prisão era desnecessária, que medidas cautelares eram suficientes. Pleito que foi reconhecido agora pelo STF.
Durante a fase de instrução do processo, temos certeza de que iremos provar a inocência do desembargado", afirmou. Apesar da soltura do desembargador e da autorização para a transferência de Bacellar, as medidas não representam o encerramento das investigações sobre o suposto vazamento de informações da operação contra TH Joias.
O Globo