Após semanas com a pior qualidade de ar no Brasil, Manaus vive uma melhora na situação, devido a ocorrência de chuvas e o trabalho de combate aos incêndios. Isso não significa, no entanto, que o problema derivado da fumaça de queimadas esteja resolvido.
No início do mês, a concentração de partículas finas (PM2.5) chegou a 344,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³) no seu pico. Nesta quinta (29), as estações marcaram valor de 60.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o limite recomendável de PM2.5 é uma concentração de 15 (µg/m³), na média de 24 horas. No pior momento das fumaças, as aulas na rede municipal de ensino e nas universidades foram suspensas.
A prefeitura de Manaus chegou a recomendar que a população evitasse sair de casa. Nesta terça, as aulas escolares foram retomadas, depois de duas semanas, e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) voltou a abrir as portas após uma semana de suspensão das atividades.
O epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), explicou que a melhora é evidente. Fruto, diz, principalmente da força tarefa montada pelo governo federal, que contou com 16 aeronaves e efetuou pelo menos 10 detenções de suspeitos de executarem incêndios criminosos.
Além disso, algumas chuvas pontuais contribuíram para diminuir a seca. Por outro lado, ele alerta que a situação não está resolvida e que é preciso seguir com medidas preventivas contra os efeitos negativos da fumaça tóxica, que afetam principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades respiratórias e cardiovasculares.
— Quem puder, use respiradores N95 ou PFF2, umidificadores de ar em cômodos com a menor exposição possível e ar-condicionado (bacias com água dentro do cômodo ajudam) — recomenda Orellana, que critica a retomada da "normalidade". — Já normalizaram, o que é um grande erro, pois os efeitos negativos da exposição à fumaça tóxica são também de médio e longo prazo.
Pior ar do Brasil Nas duas primeiras semanas de outubro, Manaus registrou a pior qualidade do ar entre as cidades brasileiras monitoradas pela plataforma internacional IQAir e no o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), ligado à Universidade do Estado do Amazonas.
No dia 9, a concentração de partículas finas PM2.5 chegou a 344,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³), de acordo com o Selva. Nesta quinta (29), o Selva registrou picos entre 45 e 60, o que indica uma qualidade.
Segundo os parâmetros do sistema, esses valores são de qualidade de ar entre "moderado" e "ruim". A Organização Mundial de Saúde (OMS) adota como limite recomendável de PM2.5 uma concentração de 15 (µg/m³), na média de 24 horas.
Assim, outras cidades do Amazonas estão com qualidade pior que Manaus nesta quinta (29), como Nhamundá (115.6 µg/m³) e Itapiranga (110.5 µg/m³). Na semana passada e no início da semana o norte do Pará, principalmente na região de Santarém, também sofreu com a fumaça de queimadas.
Desde setembro, os focos de incêndio no Amazonas vêm crescendo em intensidade e quantidade, o que, segundo especialistas, já pode ter influência dos efeitos do El Niño na região. O fenômeno climático causa secas no Norte do Brasil.
O normal era o período de queimadas começar em agosto, mas o próprio Ministério do Meio Ambiente entende que o El Niño atrasou esse início, o que deve indicar seu prolongamento até o início do ano que vem. Em outubro, já foram registrados 29.758 focos no Brasil: 38,7% no Pará (11.531 focos) e 7,5% no Amazonas (2.228), respectivamente o primeiro e o quarto estados mais afetados.
Em relação à área queimada, a situação no Amazonas está muito acima da média histórica desde setembro, quando 272.916 hectares foram queimados no estado 30 % maior que a média histórica de 209.651 Em outubro, a proporção é ainda aior: já há 247.660 hectares de área queimada, contra média histórica de 63.239 hectares.
Número 291% maior.
O Globo