As ações da Rheinmetall caem acentuadamente nesta quinta-feira (5), depois que o grupo alemão do setor de defesa reduziu suas projeções anuais pela segunda vez neste ano, devido a atrasos em alguns pedidos altamente lucrativos. Trata-se do mais recente revés para a empresa, que já havia perdido um grande contrato para a construção de fragatas junto ao governo alemão.
A empresa informou que espera registrar vendas de aproximadamente 13,2 bilhões de euros (US$ 14,82 bilhões) em 2026, abaixo da faixa de projeção anterior, que variava entre 13,7 bilhões e 14,2 bilhões de euros. A margem operacional deverá ficar em torno de 18,5% no ano, abaixo da previsão anterior, de aproximadamente 19%.
As ações da Rheinmetall negociadas em Frankfurt despencavam mais de 16% há pouco. Os papéis acumulam queda superior a 50% nos últimos 12 meses, após uma série de reveses, incluindo cancelamentos de pedidos e resultados financeiros mistos.
A Rheinmetall havia reduzido suas projeções de vendas em agosto, depois que a Alemanha cancelou um projeto para adquirir seis fragatas F126. Berlim havia manifestado insatisfação com os atrasos e os aumentos de custos do projeto e optou, em vez disso, pela compra de oito fragatas MEKO A-200, do estaleiro alemão TKMS.
Desta vez, o grupo apontou atrasos em um projeto denominado Arminius, por meio do qual a Alemanha lançaria um programa de aquisição em larga escala de veículos blindados sobre rodas Boxer, que, segundo estimativas de analistas, geraria mais de 12 bilhões de euros em vendas para a Rheinmetall.
A Rheinmetall esperava fechar um contrato definitivo até o fim do ano, mas agora afirma que o projeto só será contratado no próximo ano. A empresa também informou que as receitas que esperava obter com armas e munições não se concretizarão no quarto trimestre.
A segunda revisão para baixo das projeções representa um revés para uma empresa que havia se destacado como uma das principais beneficiárias do aumento dos gastos com defesa, depois que a invasão da Ucrânia pela Rússia abalou a arquitetura de segurança da Europa. À medida que os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) passaram a destinar cada vez mais armamentos para ajudar a Ucrânia, os governos europeus começaram a realizar uma sequência constante de encomendas à Rheinmetall e a outros grupos do setor de defesa, a fim de garantir a reposição de seus próprios estoques.
Os reiterados apelos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os países da Otan gastassem mais com defesa também contribuíram para manter elevados os investimentos no setor. Agora, a Rheinmetall e outros grupos do setor de defesa enfrentam incertezas do outro lado do Atlântico.
As ações de empresas do setor estão sob pressão depois que os democratas conquistaram maiorias nas duas casas do Congresso americano, um resultado que, segundo analistas, poderá pesar sobre os gastos militares dos Estados Unidos e reduzir a demanda por empresas fornecedoras do setor.
As vendas da Rheinmetall cresceram para 3,15 bilhões de euros no terceiro trimestre, ante 2,31 bilhões de euros no mesmo período do ano anterior, mas ficaram abaixo da previsão dos analistas, de 3,25 bilhões de euros, segundo a Vara Research. O lucro operacional aumentou para 553 milhões de euros, ante 342 milhões de euros, resultando em uma margem operacional de 17,5%.
Os analistas haviam projetado lucro de 531,4 milhões de euros e margem de 16,3%, de acordo com as estimativas consensuais do mercado.
Valor