Deputados acusam governo de perseguição religiosa após Ministério da Justiça elevar classificação de programa infantil exibido há mais de 20 anos Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
O Ministério da Justiça mudou a classificação indicativa do programa Record Kids: Desenhos Bíblicos, exibido nas manhãs de domingo pela Record, de livre para não recomendado para menores de 12 anos. A decisão provocou revolta entre deputados da oposição, que acusaram o governo Lula de perseguição religiosa.
A medida foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) e gerou críticas de parlamentares do PL, que questionaram os critérios adotados pelo ministério. Procurada pelo ND Mais nesta terça-feira (3), a Record informou que não vai se posicionar sobre o assunto.
Segundo o Ministério da Justiça, o programa apresenta conteúdos relacionados a “atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito”. A decisão foi assinada por Eduardo de Araújo Nepomuceno, coordenador-geral de Políticas de Classificação Indicativa.
No ar desde 2003, o Record Kids reúne animações inspiradas em histórias da Bíblia e atualmente é exibido aos domingos, das 9h às 10h30. A mudança não significa que os desenhos foram proibidos.
A classificação indicativa serve para orientar pais e responsáveis sobre os conteúdos exibidos, sem impedir que crianças menores de 12 anos assistam ao programa. A repercussão começou nas redes sociais, onde parlamentares da oposição classificaram a medida como um ataque à liberdade religiosa.
O deputado estadual Major Mecca (PL-SP) afirmou estar preocupado com o que considera uma crescente perseguição aos valores cristãos. “Um ataque direto à nossa fé e à formação das nossas crianças”, declarou.
Mecca também cobrou a divulgação do parecer técnico que fundamentou a decisão e questionou quais passagens bíblicas teriam sido consideradas inadequadas. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) seguiu a mesma linha.
“Agora até desenho bíblico virou problema para o regime Lula!”, escreveu. O parlamentar lembrou que a atração está no ar há mais de 20 anos e defendeu que a liberdade religiosa é um direito garantido pela Constituição.
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) criticou a mudança e afirmou que cabe às famílias decidir quais conteúdos os filhos devem assistir. “A perseguição à Bíblia chegou à classificação indicativa do governo Lula”, publicou.
Para contestar a medida, citou histórias como as de Davi e Golias, Caim e Abel e José, vendido pelos próprios irmãos. “Quem educa nossos filhos são os pais, não o governo!”, acrescentou.
Já o deputado federal General Girão (PL-RN) associou a decisão ao resultado das eleições presidenciais de outubro e acusou o governo de restringir o acesso a ensinamentos cristãos. “O comunismo é anticristão por essência”, escreveu.
Apesar das críticas, o Ministério da Justiça justificou a reclassificação com base nos conteúdos identificados nas animações, sem apontar a temática religiosa como motivo da mudança. Carolina Sott é repórter e editora no ND Mais, onde acompanha de perto os movimentos da política, segurança pública e economia no Brasil.
Atuante na área desde 2020, é formada em Jornalismo pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) e tem MBA em Jornalismo Digital. Escreve matérias que revelam bastidores, contextualizam disputas de poder e mostram, de forma clara, como decisões feitas no alto escalão impactam o cotidiano dos brasileiros.
Interessada pelo que move Brasília, São Paulo e outras capitais, costuma ler sobre política e assuntos relevantes para o cenário político e social. Indicada ao prêmio Microfone de Ouro da Acaert, já passou por portal de notícias e rádio, onde produziu e apresentou conteúdos que traduzem escolhas complexas para a vida das pessoas.
Cobriu as Eleições Municipais em Lages (2020) e Florianópolis (2024), além de trabalhar na cobertura das Eleições Gerais de 2022 em um portal de notícias. Leia mais ▾
ND Mais