ApexBrasil e Sebrae levam 16 empresas a missão comercial no Canadá

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

Dezesseis empresas brasileiras de alimentos começam, na segunda-feira 9 de novembro, cinco dias de reuniões com os gabinetes de compra do varejo canadense. A missão é conduzida pela ApexBrasil, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, e pelo Sebrae, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

O apoio é da ABIMAPI, a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados, e da BCCC, a Brazil-Canada Chamber of Commerce. A agenda começa em Toronto e termina em Montreal, em 13 de novembro.

O foco é o segmento de marcas próprias, os produtos que levam o selo do supermercado em vez do fabricante. O varejo canadense é dominado por poucas redes, entre elas Loblaw, Metro, Sobeys, Walmart Canada e Costco.

Cada uma tem marca própria consolidada, como President’s Choice, Selection, Compliments e Kirkland Signature. O consumidor canadense consolidou o hábito de comprar marcas de supermercado.

A migração aconteceu durante os ciclos de inflação alta e se manteve depois, pela combinação entre preço e qualidade técnica. Dados da consultoria NielsenIQ em 2026 mostram que as marcas próprias já respondem por quase um quinto do faturamento do varejo canadense.

Em volume físico, representam um quarto dos produtos vendidos. O avanço acompanha um movimento global do varejo, com redes ampliando o controle sobre suas cadeias de fornecimento nas últimas duas décadas.

Para o fornecedor, o modelo é diferente do tradicional de exportação. O fabricante não precisa construir marca no exterior e entra em contratos de suprimento de longo prazo com os distribuidores.

Modelos de fornecimento em marca própria exigem do fabricante escala e flexibilidade para ajustar receitas. Também exigem auditoria frequente do comprador sobre o processo produtivo.

A barreira é a ausência de acordo comercial entre Brasil e Canadá. Produtos americanos e mexicanos entram no mercado canadense sem imposto de importação sob o tratado comercial da América do Norte, e alimentos brasileiros pagam tarifa sobre o valor da mercadoria ao chegar ao porto.

A rotulagem bilíngue em inglês e francês e a exigência de certificação sanitária pela Agência Canadense de Inspeção de Alimentos impõem uma camada a mais de custo. O Canadá também protege com cotas e tarifas altas os setores de laticínios, ovos e aves.

O sistema de gestão de oferta limita a entrada de alguns dos principais produtos de exportação brasileiros naquele mercado. Dentro do segmento de processados, o caminho da marca própria contorna parte desse muro regulatório.

O fabricante brasileiro passa a produzir com a especificação técnica do varejista, sem precisar registrar marca e sem disputar prateleira com gigantes do setor. A ABIMAPI reúne fabricantes de biscoitos, massas, pães e bolos industrializados.

É um dos segmentos industriais brasileiros com maior capacidade de adaptação a especificações de clientes no exterior. O Brasil tem base industrial para atender esse tipo de exigência.

É o maior exportador mundial de café, açúcar, suco de laranja e carnes bovina e de aves. O mercado canadense de alimentos processados importa boa parte do que consome.

A produção doméstica se concentra em laticínios, carnes e cereais. A concorrência na prateleira é dura.

Grandes marcas globais como Nestlé, Unilever, Mondelez e Kellanova dominam as categorias de processados e têm contratos antigos com as redes canadenses. A pauta brasileira ao Canadá é dominada por ouro, petróleo bruto, alumínio e carne bovina, produtos de baixo valor agregado.

Alimentos industrializados ainda ocupam uma fatia pequena da corrente comercial. O Brasil já fornece café, suco de laranja, carne bovina e açúcar ao mercado canadense.

O passo que a missão tenta dar é o do produto processado com marca do varejista. A missão inclui seminários sobre regulação nas províncias de Ontário e Quebec, reuniões bilaterais entre fabricantes e compradores e visitas técnicas a redes varejistas.

Segundo o COO da ApexBrasil na América do Norte, Igor Brandão, a ação foi desenhada para aproximar os fabricantes nacionais dos decisores de compra do varejo canadense. A inserção via marca própria permite contratos de suprimento de longo prazo, com previsibilidade de volume exportado.

Ontário e Quebec concentram a maior parte do mercado consumidor canadense. Toronto e Montreal, as duas maiores cidades do país, ficam nessas províncias.

A BCCC atua como ponte comercial entre os dois países. A entidade reúne empresas canadenses e brasileiras e organiza encontros de negócios.

A missão também ajuda a superar a dependência histórica de poucos parceiros comerciais. Concentrar exportações em China, Estados Unidos e União Europeia deixou a indústria alimentícia vulnerável a tarifas, sanções e crises cambiais em cada mercado.

A estratégia de diversificação ganhou peso no comércio exterior brasileiro nos últimos anos. Missões comerciais à América do Norte e ao Oriente Médio passaram a disputar espaço com as rotas tradicionais.

A missão de Toronto e Montreal encerra em 13 de novembro. Os primeiros contratos de fornecimento em marca própria, se vierem, devem ser fechados nos meses seguintes.

O Canadá não vai substituir a China nem os Estados Unidos na pauta brasileira. Cada contrato de fornecimento em marca própria que sair de lá reduz a exposição a um mercado só.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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