Com queijos classificados entre os melhores do mundo, o Paraná vem registrando crescimento no segmento de derivados de leite. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), cerca de 85 famílias paranaenses vivem da atividade atualmente e 30 novas queijarias foram implantadas nos últimos três anos.
Outro balanço mostra que, em seis anos, produtores paranaenses de queijo conquistaram 667 medalhas em premiações nacionais e internacionais. Um terço das queijarias instaladas no Estado participou dos concursos de 2026, e entre 49% e 59% das agroindústrias passaram a faturar mais de R$ 10 mil por mês, aponta a Seab.
Parte desse resultado é atribuída ao apoio técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná), da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e do Sebrae/PR. Leocledes Gossler e a esposa, Giovana Karina Gregolon, iniciaram a produção em uma propriedade no interior de Chopinzinho, no Sudoeste do Paraná.
Na época, a área tinha 4,1 hectares, nenhuma construção e espaço para poucas vacas. Mais de 15 anos depois, o lugar se tornou endereço da Irmão Queijeiro, agroindústria familiar que acumula diversas premiações.
Entre 2016 e 2017, técnicos da então Emater, atual IDR-Paraná, identificaram potencial na produção artesanal da família. “Em 2019, fizemos um curso de aperfeiçoamento em queijos que trouxe novos conhecimentos sobre qualidade e técnicas de fabricação, ajudando a transformar a atividade em negócio”, conta Giovana.
A agroindústria foi construída entre 2020 e 2021 e, depois do registro no Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e no Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf), conquistou o Selo Arte. Hoje, a Irmão Queijeiro produz entre 350 e 400 quilos por mês, incluindo queijos Colonial, Coalho, Cremoso, Amanteigado, Colonial Maturado ao Vinho, Colonial com Fermento de Parmesão e variedades temperadas.
A comercialização ocorre principalmente de forma direta para moradores e turistas. Desde 2022, a queijaria já conquistou mais de 20 premiações estaduais, nacionais e internacionais.
“A trajetória dessa família mostra como a produção artesanal pode se tornar um negócio capaz de gerar renda em uma pequena propriedade. O saber fazer dos produtores é o ponto de partida”, comenta a consultora do Sebrae/PR, Alyne Chicocki.
Ela explica que o Sebrae/PR contribui com gestão, melhoria de processos e acesso a mercados, para que a qualidade dos queijos também se traduza em resultados para as famílias. Leocledes Gossler e Giovana Karina Gregolon, proprietários da Irmão Queijeiro
Arquivo pessoal Profissionalização
Outro exemplo é a Queijaria Vovó Zaine, de Tomazina, no Norte Pioneiro. Em 2020, quando decidiram abrir a agroindústria, Paulo Henrique da Silva e Camila de Fátima Gonçalves da Silva tiveram suporte do IDR-Paraná.
Por meio dos programas Agroindústria e Pecuária de Leite, eles foram orientados da etapa de planejamento e análise para a construção da queijaria à regularização documental da agroindústria, adequação sanitária da produção leiteira e conservação do produto até sua comercialização formal.
Os produtores também receberam capacitação técnica para manejo de pastagem, nutrição adequada e armazenamento. Hoje, a família que vive exclusivamente da comercialização dos queijos, já foi premiada em edições do Prêmio Queijos do Paraná.
“Isso mostra como a orientação técnica faz diferença no produto final, porque as características da matéria-prima influenciam diretamente o rendimento, a textura, o aroma, o sabor e a estabilidade do queijo”, explica o engenheiro agrônomo e extensionista do IDR-Paraná, Alfredo Braz da Costa Alemão.
Em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, Janete do Rocio Fila produz queijos desde 2022, mas já trabalhava de forma artesanal antes de abrir a queijaria. Depois de uma viagem viabilizada pelo IDR-Paraná à Serra da Canastra (MG), ela percebeu a importância de se adequar às normas sanitárias e também regularizou o negócio.
O quilo do queijo, antes vendido por cerca de R$ 40, passou a valer aproximadamente R$ 55. Hoje, a produtora possui cadastro no Susaf/PR e acumula oito medalhas em premiações.
Entre os produtos estão queijos feitos com iogurte natural e versões saborizadas com morango e ameixa. Prêmio Queijos do Paraná reconhece a qualidade dos produtos do Estado
Albari Rosa / AEN IG do Queijo Colonial
Outro marco do segmento no Estado ocorreu em junho de 2025, quando o Queijo Colonial do Sudoeste do Paraná recebeu do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência. O reconhecimento abrange 42 municípios e reforça oficialmente a relação entre o produto e o território.
“A IG reconhece a relação do Queijo Colonial com o Sudoeste do Paraná e valoriza uma história construída pelas famílias produtoras”, frisa Alyne. A Associação dos Produtores de Queijo Artesanal do Sudoeste do Paraná (Aprosud) reúne atualmente 16 produtores ativos, responsáveis por uma produção estimada em cerca de 20 mil quilos de queijo por mês.
Globo Rural